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Sarapatel* com farinha no café da manhã

No intervalo das Sessões, na Copa atrás do plenário, o vereador José Rolim, legítimo líder comunitário de Paraisópolis (uma das maiores de São Paulo), muito verdadeiro e muito divertido, estava contando sobre os tempos em que tangia boiada em Pernambuco, menino ainda. Trabalhavam dia e noite, percorriam 22 km a cavalo, chegavam a Garanhuns de manhã. O fazendeiro dono da boiada pagava coisa de R$4,00 pelo serviço e fornecia um lanche muito vagabundo pela manhã. Se o trabalho se estendesse até a hora do almoço, ele os dispensava apressadamente, para não ter de providenciar mais uma refeição.

E o Rolim ria:" Pense em alguém que passou fome em Pernambuco, pense!" E apontava para si mesmo.

Esse é um personagem de quem vou sentir saudade.

***
* Rolim explica que o sarapatel é feito com o sangue, fígado, coração e banha do porco. Era o que eles recebiam para o desjejum; ele punha bastante farinha, para render mais.



Escrito por Soninha às 22h53
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"Não entendi"

 

Agora há pouco, a Câmara aprovou projeto do vereador Wadih Mutran, que "institui normas sobre a divulgação de campanhas publicitáriasde medicamentos com conotação de receituário médico, no âmbito do município de São Paulo, e dá outras providências". Como assim? Basicamente, o projeto proíbe a propaganda de medicamentos que induza à auto-medicação.

 

Só eu votei contra, e expliquei por quê. No mérito, sou favorável. Mas obviamente essa matéria não pode ser disciplinada por lei municipal. Por que? Porque grande parte da propaganda veiculada em São Paulo não é de caráter "municipal". As emissoras de rádio e TV, por exemplo, exibem anúncios para toda a região metropolitana, ou até mesmo para o país todo. Se a Globo gerar, a partir do Rio de Janeiro, um comercial de remédio para ser exibido no "break" do Jornal Nacional, como a lei municipal há de impedi-la (ou penalizá-la)? E as revistas de circulação nacional, deverão produzir versões paulistanas, sem os anúncios proibidos? Se forem vendidas em Guarulhos, São Caetano, Poá, Francico da Rocha, serão diferentes daquelas comercializadas na capital?

 

Não dá, a regulamentação desse tipo de publicidade precisaria ser, necessariamente, em lei federal. Não só por dispor sobre propaganda, mas por dispor sobre o tema "medicamento".

 

Pois muito bem. Depois do meu voto contrário, o vereador Wadih Mutran pediu a palavra e disse que não entendeu como eu podia ser contra o projeto. "Estou vendo televisão na minha casa e vejo lá um comercial dizendo: se tiver dor de cotovelo, tome isso. Dor na perna, tome aquilo. A gente nem sabe se o remédio faz mal para o coração, se eu posso tomar, se não posso... Vereador Paulo Frange, que é médico, sabe disso. Então tem de proibir essa propaganda".

 

Quer dizer, ele realmente não entendeu.

 

O presidente da Casa, no comando da Sessão, o cumprimentou: "Parabéns, vereador Wadih Mutran, brilhante como sempre".

 

The end.



Escrito por Soninha às 22h46
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