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Enquanto isso, no Palácio Anchieta...

Ontem entrei no site da Câmara para ver a pauta das Sessões plenárias.

Havia Extraordinária convocada, com uma lista enorme de projetos do Executivo (alguns que estão lá há séculos, sem a MENOR chance de entrarem mesmo em votação) e de vereadores (indicando que o acordo para aprovar projetos de parlamentares avançou um pouco).

Pensei: “SABIA que isso ia acontecer. Eu não perco uma sessão plenária, e em 90% delas não acontece NADA. É só eu sair que vão votar uma p*rr*da de coisas!”

Eram quatro e pouco pelo horário do Brasil (sete e pouco aqui), então cliquei na TV Câmara para assistir a sessão pela internet.

Nada...

Primeiro, black total. Achei até que era problema de conexão. Pouco depois, entrou um programa pré-gravado (entrevista do Paulo Fiorilo com convidados). Eu sei o que isso significa: que fechou o pau na sessão (a TV Câmara pára de transmitir) ou que ela tinha sido encerrada pacificamente (“por acordo de lideranças”).

Por email, me disseram que houve mesmo uma discussão acalorada (mas às vezes elas são menos acaloradas do que parecem) e nada foi votado.

Em todo caso, preferia estar lá, não gosto de faltar. Nunca fui nem de matar aula (até chegar à faculdade... Na ECA, tinha aula que pedia:  “Me mata, me mata, sou pura enrolação!”, principalmente nos dois primeiros anos do Básico de Comunicações). Mas participar do evento da Deutsche Welle em Berlim é sensacional, inspirador, e deixar de vir seria um sacrifício quase inútil. (Se houver votação em plenário, é porque houve acordo entre a maioria – e um acordo a essa altura, antes de votar o orçamento, só é possível se não houver nada muito polêmico em pauta... Ainda que houvesse: o acordo com a maioria significa que o projeto SERÁ aprovado; eu não conseguiria mudar o rumo das coisas sozinha. Mas adoraria registrar minha divergência assim mesmo).

Bom, semana que vem estarei lá.

(Importante: claro que serei descontada em meus vencimentos pela ausência nestes dias)

(Outra coisa: eu estou fora, mas o gabinete continua trabalhando. Trabalho de vereador não é só no plenário (e não é só do vereador, mas de toda sua equipe). Aliás, é muito maior fora do plenário... Até respondendo e enviando emails de casa um vereador pode ser mais produtivo e útil do que em determinadas (ou muitas) sessões).



Escrito por Soninha às 10h00
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Futuro do pretérito, outra vez

Estadão me ligou: “É verdade que você vai ficar com uma Subprefeitura?”

Com esse, já são seis os convites que eu recebi (todos pelos jornais): as Secretarias da Cultura, Esporte, Meio Ambiente, Assistência e Desenvolvimento Social, Participação e Parcerias foram os cinco primeiros.

A cada um deles, uma enxurrada de reações: “Oba, você vai para a Cultura!”; “Legal, Participação e Parcerias, dá para fazer um milhão de coisas!”; “Não ACREDITO que você vai trabalhar para o Kassab”; “Eu SABIA, você só quer o poder”.

(Acabo de lembrar que também vou coordenar o programa de coleta seletiva da prefeitura. Sete!)

***

Alguns comentários são quase ameaçadores: “Você não vai aceitar não é? Pensa bem o que você vai fazer, eu votei em você...”

***

Duvido que algum político ou candidato a cargo eletivo tenha ouvido tantas vezes de seus eleitores: “NUNCA MAIS eu voto em você”. Não que eu tenha mais eleitores desiludidos/revoltados do que eles; é que é mais fácil falar comigo (e perguntar, elogiar, xingar) do que com a maioria. Aposto que eles não ouvem/lêem tantas milhares de pessoas quanto eu (por email ou em blogs, chats, fóruns, twitter, orkut e pessoalmente).

Os motivos do “nunca mais” são diversos. Tão variados qto os motivos pelos quais as pessoas votam em mim... (Ainda vou fazer uma lista de todos o que já ouvi. Também dá um catálogo de A a Z).

***

“Mas você vai para uma Subprefeitura?”

“Ninguém sequer me convidou...”

“Se for convidada, você aceita?”

“Talvez”.

“Você gostaria de ser Subprefeita?”

“Veja bem, eu quero ser prefeita... Uma suprefeitura não chega nem perto disso (NADA chega), mas pode ser uma experiência muito interessante na administração pública. Já discutimos muito, inclusive na Câmara, sobre a pequena autonomia administrativa, orçamentária etc. das Subprefeituras. Mesmo assim, deve ser muito legal poder lidar com um milhão de temas e questões diferentes: calçadas, arborização, cultura, comércio ambulante, jovens, idosos, bicicletas... Ser a ponta do Poder Executivo mais próxima do cidadão...”

“De onde você vai ser Subprefeita?”

“Ei, eu nem fui convidada!”

“Mas o que você prefere, Santana?”

“Eu não tenho que preferir nada, eu sei lá se vão me convidar para uma Sub. Pode até ser, mas infelizmente um convite/nomeação para um cargo no Executivo envolve muitas coisas que não têm nada a ver com capacidade, competência, adequação para o cargo, etc. Talvez o prefeito tenha a maior dor-de-cabeça se nomear alguém que sequer participou de sua campanha, enquanto outras pessoas se esforçaram tanto para elegê-lo. Talvez precise de um nome que garanta mais apoio no Legislativo.
O PPS tem dois vereadores na Câmara e não vai garantir seus votos favoráveis ao prefeito em troca de participação no governo... Veja os problemas que o Lula tem com parte da bancada governista por causa do Temporão (que é um bom ministro, mas não está lá para fazer agrados a parlamentares do PMDB e é bombardeado por causa disso)”.

“Entendo. Mas se for convidada, prefere Santana?”

“[Suspiro] Eu morei duas décadas em Santana, e muita gente defende que um Subprefeito tem de ser do pedaço. Mas também já morei em outros bairros e regiões, (agora moro na Vila Pompéia), e conheço bem outros lugares por ter trabalhado neles. SE eu for convidada, poderia ser Cidade Tiradente, seria sensacional ser Subprefeita de lá. Já pensou tudo o que tem pra fazer?”.

“Então você gostaria?”

[Lá vou eu outra vez... Depois do que fizeram com o meu "adoraria", dá até medo de responder...] “Pode ser muito legal ser Subprefeita. Muito. Se você realmente puder e conseguir fazer tudo o que precisa ser feito, uau. Se tiver recursos orçamentários e humanos, estrutura, alguma autonomia... Que possibilidade incrível. Mas, como eu disse, depende...”

“Você sabe que, se isso acontecer, você vai ser muito criticada, né? Sua imagem não vai ficar abalada por servir a um governo Democrata?”

“Claro que sim. Se um dia eu vier a trabalhar na administração, vou tomar um pau (já tomo sem ter acontecido nada). “Incoerente, traidora!”. Mas se eu tiver convicção de que posso fazer um bom trabalho, relevante e útil para a sociedade, azar da “minha imagem”. Ela não pode ser o mais importante. Eu sou budista, eu acredito que devo sacrificar meu prestígio, conforto, imagem se for para servir a algo mais importante... O “eu” não é o mais importante.

A possibilidade de trabalhar nessa administração me lembra as oportunidades que eu tive de trabalhar na Globo. Já recebi alguns convites – ouvi, cogitei, mas não aceitei. Isso significa “Rede Globo, jamais!”? Não. Claro que ela representa várias coisas que eu critico, condeno, etc., mas também é possível fazer coisas muito legais na Globo. Se eu tivesse certeza de que poderia fazer um trabalho de acordo com as minhas convicções, eu iria. Olha o Caco Barcelos: ele está na Globo e eu adoro as coisas que ele faz.

Se eu tivesse ido para a Globo, muita gente me acusaria de “vendida para o sistema” (era a expressão mais usada nos meus tempos de MTV para situações como essas – a banda independente que assina com uma gravadora, o artista rebelde que dá entrevista p/ a TV...). Mas se eu fosse, tendo total convicção de que poderia fazer o meu trabalho, agüentaria as críticas desse tipo. Não posso deixar de fazer alguma coisa que eu considero importante com medo do que as pessoas vão pensar e dizer...”

***
E assim ficamos. Não sei o que vai sair no jornal logo mais, mas espero que se pareça com essa conversa... Estava aqui no meu canto quando vieram me perguntar  “e aí, que tal uma Subprefeitura?”, e eu, como sempre, respondi o que me perguntam: “Ser subprefeita pode ser bem legal, mas não me convidaram, não”. Quero ver quanto tempo vai demorar para dizerem que eu “me ofereci” – ou seja, a gente apanha pelo que fez e não fez, pelo que pensou em fazer e o que nem passou pela cabeça... Ficar pirando em agradar as pessoas também faz com que os políticos fiquem muitos parecidos uns com os outros, escolhendo cuidadosamente as palavras, evitando dar opiniões sinceras, consultando a assessoria de comunicação sobre o que é mais indicado dizer em cada situação...

Como eu já disse, talvez alguns dos meus colegas vereadores tenham razão: eu não sei ser política, não entendo o que é política, nunca vou aprender como é ser da política.



Escrito por Soninha às 00h59
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