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Não há número legal

Hoje havia duas sessões extraordinárias convocadas, com dois projetos em pauta. O PL 432/07, do Executivo, “dispõe sobre a concessão de uso de imóveis municipais, situados na Rua Loefgren e na Avenida Horácio Lafer, à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo – APAE”. O PL 93/2008, da vereadora Myryam Athie, “dispõe sobre a concessão de Título de Cidadão Paulistano ao Ilustríssimo Senhor Joseval Peixoto Guimarães”.

Nenhum dos dois foi aprovado – porque nenhum dos dois chegou a ser votado.

A bancada do PT pediu verificação de presença e, por falta de quórum, caíram as duas sessões, uma depois da outra.

O que significa isso?

Por partes.

Para votar um projeto de lei, é preciso haver no mínimo 28 vereadores em plenário.

O PT não queria que o projeto fosse votado. Por achar que é ruim? Não, porque ele é do Executivo.

Os vereadores do PT têm ido à tribuna, em todas as sessões, queixar-se do fato de o prefeito não ter executado as emendas ao orçamento apresentadas por eles no ano passado.

(Nem vou explicar isso melhor agora, senão a gente não termina nunca esse assunto).

Para confrontar o prefeito, fazer pressão, mostrar força, o partido está obstruindo as votações de projetos do Executivo. Para que o prefeito ofereça algo em troca – novas emendas, por exemplo...

E hoje foi fácil obstruir. O líder da bancada pediu a tal verificação e os petistas não registraram a própria presença no painel eletrônico. Os governistas não estavam presentes em quantidade suficiente e pronto, caiu a sessão. (Eu não sou governista, mas sou contra obstruir a votação de matéria da qual concordo, então registrei presença).

E assim caminha a humanidade. Fica a concessão dos imóveis para a APAE para sabe lá quando. Tomara que não os prejudique...



Escrito por Soninha às 20h19
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Sem prudência

(Domingo passado, escrevi o texto abaixo com raiva. Como a prudência recomenda nesses casos, escrevi mas não publiquei - a raiva não é a melhor das musas inspiradoras. Mas, quer saber? Vou publicá-lo exatamente como escrevi)

 

Virou "notícia" a "possível fusão" entre PSDB e PPS.

Santa mãe de Deus.

O PPS estaria interessado na fusão para "não desaparecer".

Parece que somos como os antigos dinossauros, condenados ao sumiço por algum meteoro, aquecimento global ou a nova era do gelo.

(Eu às vezes chamo os velhos comunistas, os militantes de décadas atrás de "dinossauros", mas é com carinho, porque gosto muito deles!).


Absurdo...


Por que o partido "desapareceria"? Está todo mundo de saída?


E desde quando fundir-se a outro partido – e justamente um partido grande (ou inchado, inflado, espraiado de maneira inconsistente e desigual, como a cidade de São Paulo...), que como outros partidos grandes sofre de profunda crise de identidade, incoerências, inconsistências – é "solução" para "não desaparecer"?


Abrir mão da legenda para incorporar-se a outra é SINÔNIMO de desaparecer. Cancelar o registro, fechar a porta, entregar a chave, escrever "mudamos" na placa do jardim... E tchau partido, você acabou.

Que beleuza de solução!


Se alguém no PPS está REALMENTE pensando nisso (duvido – aposto que é distorção maldosa, em todo caso...), pergunto: se não quer mais ficar no partido porque ele pode "desaparecer", se não interessa fazer com que se fortaleça e cresça com consistência, se não quer assumir bandeiras com independência, firmeza, inclusive disputando eleições contra os grandes, se não quer afirmar sua identidade, por que não pede para sair, simplesmente? A Constituição prevê liberdade de associação! Saia, mas não leve o 23 com você, por favor. Deixe para quem gosta e faz questão dele.

 

***

De lá para cá, a "notícia" se espalhou ainda mais. E já virou aquele samba do crioulo doido, com os jornalistas ouvindo sabe deus que fontes -- pessoas "bem informadas", que adoram se mostrar próximas dos poderosos e inventam uma barbaridade.

 

Olha o que escreveu a Zero Hora:

 

Enquanto correligionários articulam a fusão com o PSDB, o presidente do PPS, Roberto Freire, prefere cautela. Para ele, o único movimento de aproximação é o apoio mais do que certo do PPS a José Serra ou Aécio Neves, potenciais candidatos em 2010. Freire considera a discussão capitaneada pelo gaúcho Nelson Proença (PPS) legítima, mas pondera que o tema não está em pauta. Do lado tucano, o principal entusiasta é Serra – que já fala até mudar o nome do PSDB de Partido da Social Democracia Brasileira para Partido Social-Democrata Brasileiro, mudança sutil para acolher os possíveis novos companheiros.

 

"Articulam a fusão". Nossa, já está nesse ponto...

E o Serra já ganhou o status de "principal entusiasta" - eu me pergunto que interesse ele teria... Se um partido está tão preocupado com o risco de "desaparecer" que cogita abrir mão de si mesmo para fundir-se a outro, por que o entusiasmo? O que ele ganharia de tão entusiasmante?

E já atribuíram ao Serra uma "mudança de nome" do PSDB... Como se pudesse; como se fosse o dono ou ao menos apitasse decisivamente no partido (haja vista o número de derrotas internas que teve nos últimos anos).

 

***

O Diário de Cuiabá lascou o seguinte:

 

Temendo o desaparecimento, lideranças nacionais dos dois partidos, como o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), o governador de São Paulo, José Serra, e o deputado federal Nelson Proença (RS), integrante da executiva nacional do PPS se reuniram na semana passada para discutir o assunto. Os socialistas temem perder espaço na próxima eleição de 2010.

 

Ivan, único vereador eleito pelo PPS em Cuiabá, acredita que a própria executiva nacional do partido não vai optar pela fusão. Segundo ele, na última reunião da cúpula nacional, o tema foi colocado em questão, mas não foi bem recebido pelos líderes regionais.

 

O tema da fusão NÃO FOI COLOCADO EM QUESTÃO na última reunião da cúpula nacional. Eu estava lá. O que será que colocaram na bebida dessas pessoas???

 

***
Roberto Freire diz que não pode impedir um integrante do PPS de manifestar sua opinião sobre o tema, mas afirma que a discussão não está em pauta. Não, o PPS não está debatendo a possibilidade de se fundir ao PSDB.

 

OK.

 

Mas desta parte eu não gostei nem um pouco:

 

"O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, anunciou, nesta segunda-feira, a convocação, para esta semana, de uma reunião da Executiva Nacional e da bancada de deputados federais para tratar do fechamento de questão contra a "janela da delinquência", período de um mês para que parlamentares possam trocar de sigla sem perder o mandato. Diretórios como o de Pernambuco e Rondônia já pediram que o PPS feche questão contra a janela".

 

Exatamente o juízo de valor maniqueísta e injusto que eu critiquei aqui no blog.

 

O próprio Supremo, que determinou que ocupantes de cargos eletivos não podem trocar de partido sem justificar a saída (e, não sendo razoável a justificativa, têm de abrir mão do que lhes restar de mandato), admite, dessa maneira, que existem razões justíssimas para alguém deixar um partido e se filiar a outro.

 

Que existem razões espúrias, sabemos muito bem - ou não precisaria haver nenhuma dessas discussões...

 

Mas ao chamar a janela de "janela da delinqüência", em raciocínio a la Alexandre Garcia, o partido não admite razões justas. E me chama, por extensão, de delinqüente.

 

*** 

Já é complicado atribuir a um juiz eleitoral a responsabilidade de avaliar, em um debate de forte viés ideológico (afinal, é de política que estamos falando), quem tem razão, o partido ou o ex-filiado. Decidir quem foi "fiel" ao programa (ao programa!) e quem não foi.

 

Eu tenho de explicar ao tribunal por que a aliança com o Centrão na Câmara Municipal, o modo como ela foi conduzida, os posicionamentos do partido nas eleições da Mesa e em algumas manobras ou votações em plenário, as estratégias de campanha eleitoral, a tolerância renovada com práticas condenáveis de alguns integrantes me levaram a perder o amor pelo partido. O que é claríssimo, concretíssimo pra mim, o que me pegou no fígado nesses anos de Câmara, pode parecer vago ao juiz... Que é obrigado a fazer um julgamento que nem ele nem ninguém aprendeu na faculdade, porque esse tipo de processo não existia antes.

 

Mas ao menos está garantida a possibilidade de explicação, de "defesa". (Acho horrível dizer defesa, porque parece que somos acusados de um crime. Sair de um partido e filiar-se a outro é direito assegurado na Constituição!).

Só que uma parte do PPS desconsidera essa possibilidade. Mudar de partido durante o mandato é "delinqüência".



Escrito por Soninha às 11h14
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