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Testando

Sexta-feira, 11:29.
Cabine 13 do Acessa São Paulo no Poupatempo Santo Amaro, próximo ao Largo 13.
Ô número que não me larga! :o)

Eu fui de moto de casa até a São Gabriel, estacionei em uma travessa e peguei um ônibus no corredor.
Por que?
Quatro motivos.

1)Não estava com muito saco pra dirigir (a Santo Amaro é muito apertada e tensa para motos)
2)Tem uma boa opção em transporte coletivo (o corredor, craro)
3)A qualidade do ar realmente está péssima (ontem fiquei com os olhos ardendo e lacrimejando muito quando fui de bicicleta até a Câmara; parecia que tinham jogado ácido); melhor renunciar à moto um pouco
4)Era uma boa oportunidade para dar mais uma examinada no transporte público.

Chegando ao ponto, surpresa nenhuma: ele tem nome (“São Gabriel, 600”), mapa dos arredores, relação das linhas que passam por ali. Mas não o caminho que elas fazem... Tem de adivinhar, perguntar para alguém no ponto ou parar todo ônibus e perguntar para o motorista.

O painel eletrônico informava que faltavam cerca de 4 minutos para o próximo ônibus, e isso é legal. Enquanto eu o fotografava, chegou um ônibus! Veio rápido, parou e pude ver “Largo 13” na placa ao lado da porta. Era o meu.

Um ônibus grande como aquele deveria circular majestosamente, isto é, devagar... Mas não é o caso. Todas as paradas são bruscas.

Tem lugar para prender cadeira-de-rodas – e dois degraus grandes para entrar no ônibus. “Não tem elevador pra cadeirante?”. “Elevador é aqui”, disse o cobrador, apontando para o próprio braço. “Já teve de carregar cadeira?”. “Ô!”.

Queria ver se a lataria do ônibus informa que ele é “acessível” (o que seria uma mentira), mas esqueci. Me distraí com o fato de que ele não parou no ponto (porque estava um caos, com outros ônibus em fila dupla), mas um pouco adiante. As senhorinhas que esperavam para descer ficaram aflitas: “Não vai parar? Não vai parar?” Tiveram de andar uns 10 metros a mais. Para quem caminha com dificuldade como elas, um problema.

Agora vou voltar pra caminhada. Já testei mais um serviço... O Acessa tem software livre, gostei.



Escrito por Soninha às 11h49
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Faltam 8 horas... 7:55... 7:50...

Lembrei daqueles conselhos básicos a vestibulandos: “Não deixe para estudar na última hora. Você não vai aprender nada no dia da prova e ainda vai se desgastar e inquietar à toa. No máximo, dê uma repassada no que já sabe, mas poupe energia para o vestibular propriamente dito”.

 

Eu não vou aprender nada hoje, mas tenho algumas dúvidas de última hora e vou dar uma pesquisada.

 

Não tenho medo de não saber a resposta de alguma pergunta – porque vou dizer, muito honestamente, “não sei”. Tem coisa mais inútil do que enrolar? Quem não é seu fã vai perceber na hora: “Não respondeu!”. Quem é fã vai concluir: “Saiu-se bem, foi convincente” ou “saiu-se mal”. A utilidade disso para a verdadeira discussão sobre a cidade é aproximadamente... zero.

 

Então não tenho medo de nada? Hmm... Nada que me tire o sono ou a fome. Mas a minha preocupação é não lembrar, na hora, de alguma coisa que eu achava super importante dizer. Ou deixá-la para o fim e não dar tempo de dizer.

 

Acontece o tempo todo, em entrevistas ou telefonemas entre amigos... “Como eu não lembrei DAQUELE filme que eu adoro?”; “liguei para perguntar do capacete e falei tudo menos isso”. No debate, mais do que na vida, precisamos ser precisos, muito ágeis, infalíveis. Isso é que é dose.

 

Mas é melhor ter debate do que não ter, sem dúvida. Podem me chamar que eu vou a todos; adoro.

 

No Ig, dias atrás, eu experimentei uma sensação de volta no tempo, um flashback. Eu me vi ajoelhada na carteira do colégio, braço espetado para o alto, impaciente, aflita, querendo responder todas as perguntas que a professora fazia. “Quem pode me dizer onde fica...?”. “EU! EU! EU!”. Éramos cinco ou seis meninas assim – e as outras, que queriam se esconder debaixo da carteira, não entendiam por que a professora não chamava logo uma de nós e preferia torturá-las. Algumas sofriam por não saber a resposta e ter medo do erro, do fracasso – e o pior que escola às vezes leva a isso, em vez de ajudar a superar isso. Outras sabiam, mas eram tão tímidas que tinham vergonha da própria voz.

 

Engraçado lembrar disso agora... Saudade dos meus tempos de Colégio. E tenho a nítida sensação de que vou ter saudade destes tempos de campanha também, então estou curtindo cada momento. (Mesmo que, como no Colégio, nem todos sejam legais).



Escrito por Soninha às 14h12
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Orgulho de um PM

Panfletagem no centro hoje na hora do almoço, e as mesmas experiências de sempre.

 

Tem gente que olha com cara de nojo ou riso de escárnio, como se dissesse "é muita cara-de-pau político vir pedir voto!".

 

Eu já tive a maior dificuldade para pedir voto. Achava uma coisa horrível, como se eu fosse vendedora porta-a-porta de mim mesma (quando eu era pequena, tinha muito vendedor porta-a-porta: de vassouras, panos de prato, produtos de limpeza, panela, tudo. Eu morria de dó de dizer "não, obrigada, minha mãe falou que não está precisando"... Me dava um aperto no peito!)

 

Agora eu não peço voto, mas me ofereço como candidata. O resultado é o mesmo, mas eu fico menos envergonhada. "Oi, sou candidata a prefeita, posso deixar um folheto com você?"

Tem gente que pega o folheto logo pra se ver livre da gente. Tem quem pegue por solidariedade, gentileza ou compaixão. Alguns, por curiosidade. Outros por simpatia. E um ou outro por interesse MESMO. Ai.

 

Mas juro que só vi 3 jogados no chão. 

 

***

Mil histórias pra contar dessa caminhada, mas uma é muito especial.

 

Estávamos no calçadão perto da Praça do Patriarca, quando um PM apontou para mim e disse: "Olha, fala com eles, quem sabe eles podem te ajudar".

 

O soldado estava preocupado com uma moça sentada no chão, debulhada em lágrimas. Ela foi a uma das casas de crédito tentar um financiamento, que foi recusado. Chorava desesperada. Ele queria levá-la até a prefeitura, pedir ajuda, informações, mas ela não tinha vontade, energia e confiança para sair do lugar. O PM, muito cordial, muito sereno, disse que ela não podia ficar daquele jeito, que até em se matar ela tinha falado.

 

A história da moça é de trucidar o coração. Depois eu conto. Mas o PM... O PM foi o máximo. O máximo da sensibilidade, do interesse compassivo, da disponibilidade. Esse só pode ter entrado para a polícia para servir a população, ajudar a promover a segurança, reduzir a violência e o sofrimento.

 

Que volte para casa hoje orgulhoso de si - mesmo cansado, frustrado, aborrecido por não sei quantos motivos, que pense consigo mesmo (e com a namorada ou esposa, a mãe, os filhos): "Que bom estar nessa vida e poder ajudar as pessoas".  Eu nem o conhecia, e fiquei orgulhosa dele.



Escrito por Soninha às 20h40
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Uma quarta como outra qualquer

A grande pergunta de hoje foi:

 

"Como você está se preparando para o debate?"

 

Resposta:

 

Estou me preparando há anos!

 

Há décadas!

 

Desde que eu era estudante de ginásio e magistério, professora, atriz de teatro amador, aluna da faculdade de cinema, militante de vários movimentos, ongueira, repórter, mediadora de debates... Leitora de livros, jornais e revistas, participante de fóruns, painéis, seminários, pesquisas, congressos, conferências... Usuária da saúde pública, da educação pública, do transporte público... E vereadora. Acumulando experiências, informações, conhecimento. Aprendendo.

 

Nesses últimos meses de estudo intensivo, falando com servidores municipais lá da ponta, do balcão de atendimento, e especialistas da Universidade; com técnicos e políticos que participaram de várias administrações e cidadãos interessados; aprendi muito mais sobre a cidade. Mas eu já conhecia muito bem uma variedade grande de assuntos e, nos últimos anos, participei de um zilhão de debates. Em uma escola municipal no Jardim Fontales e na Câmara Americana de Comércio; na Fatec e na Poli; em Heliópolis e na FAAP; na TV Comunitária e no Ig; na Rede Vida e no Fórum da População de Rua; no Estadão e na TV Assembléia; em carro de som na porta da Mercedes e no gabinete do Zé Dirceu; na rua; na Câmara Municipal e na ESPN...

 

Se eu for mal no debate, não há de ser por falta de "preparo".



Escrito por Soninha às 20h21
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"Melhor não engravidar"

Hoje, no Bom Dia Brasil, Alexandre Garcia comentou o fato de muitas pessoas não fazerem o teste para saber se têm ou não HIV porque acham que "só acontece com outros". Realmente, o diagnóstico é importante para a prevenção do desenvolvimento da doença e seu tratamento adequado.

 

Mas o tom que ele adotou... Algumas de suas frases:

 

"Não fazer o teste de HIV é como se recusar a soprar no bafômetro- são atitudes individuais que precisam se submeter aos interesses coletivos".

 

Ôpa... Dirigir alcoolizado é uma ameaça inegável à coletividade. Mas dizer que ter HIV também é, é voltar ao estigma que lutamos tanto para combater. E ter hepatite C, de contágio muito mais fácil, também não é? Então vamos instituir uma série de exames obrigatórios em nome do interesse coletivo? E depois, as pessoas vão usar uma braçadeira para serem identificadas como "portadoras de vírus", para proteger a sociedade?

 

E ele prosseguiu. A Zileide Silva disse que, em caso de gestantes com HIV, o Brasil tem um índice muito baixo de transmissão, o que é uma vitória. Ao que Alexandre Garcia respondeu:

 

"Sim, a criança ainda pode ser salva, com uma dose de antibiótico na hora do parto".

 

Independentemente da correção técnica da informação, a palavra "salva" é dose. "Ainda" pode ser "salva"?? De novo, olha o estigma aí... De uma doença fatal; de uma condenação moral...

 

Mas o arremate de ouro foi a frase final: "Quem antes da gravidez for identificada como portador do HIV, é melhor que não engravide".

 

Socorro!!! Depois de SABER que é perfeitamente possível o controle da transmissão de mãe para filho, que no Brasil ele tem acontecido com sucesso, ele aconselha que mulheres com HIV não engravidem. Deve ser em nome da coletividade também... "Melhor não procriar".

 

Ah, sim, sobre os homens com HIV, nenhuma palavra sobre "engravidarem" ou não. Só pra completar.

 

Barbaridade.

 

(Olha o vídeo aqui):

 



Escrito por Soninha às 12h01
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Das 7h30 às 10h00

 - Sete e meia da terça???

Fiquei de mau humor no domingo à noite, quando soube que teria um compromisso tão cedo no dia seguinte à festa de lançamento da candidatura...

Nos últimos anos, percebo como a idade me fez menos tolerante a noites mal dormidas, ou de sono insuficiente... Nunca fui de dormir muito, mas hoje em dia cinco horas de sono me deixam imprestável no dia seguinte.

Azar. “Não vou morrer por causa disso, mas da próxima vez tentam evitar uma noite longa seguida de uma manhã cedo!”

***
O compromisso era uma missa na Igreja Matriz da Freguesia do Ó, seguida por uma conversa com os paroquianos e uma visita a obras assistenciais no bairro.

Foi muito gostoso.

Estava um dia lindo – exceto pela poluição... Mas um sol luminoso e o ar bem frio, uma combinação que eu adoro. Entrei na igreja quando cantavam, com violão acompanhando, uma das minhas músicas favoritas do tempo de Colégio Santana – que a gente se esgoelava de cantar até nos ônibus de excursão... (Pra quem era companheira dessa época: adivinhem qual. Daqui a pouco eu conto).

***
Mesmo quando eu freqüentava a igreja, achava incrível pensar que as pessoas iam à missa às 7:30 da manhã em um dia de semana. Uma vizinha ia a todas elas; era algo muito exótico para mim.

Mas depois virei budista, e comecei a fazer meditação às 6 da manhã... Hoje em dia não começo tão cedo, mas acho super natural pular da cama no escuro quando estou em retiro ou algo assim, para ir ao templo com os outros praticantes rezar pelo fim do sofrimento no mundo...

Então me vi na igreja achando aquilo muito natural, agradável, inspirador; curti as músicas, o sermão bem coloquial e sereno do padre, a liturgia que ainda sei de cor, muitos anos depois (27) de parar de ir à missa toda semana. E localizar, na pasta com as músicas que é distribuída aos fiéis, várias das minhas antigas favoritas: “Sobe a Jerusalém/ Virgem oferente sem igual...”; “Quando teu Pai revelou o segredo a Maria/ que pela força do Espírito conceberia...”.

Havia mais pessoas idosas do que jovens, mas reparei em um motoboy na fileira do fundo e em duas moças de aparência muito simpática e atraente, que depois soube serem irmãs – uma faz Direito no Mackenzie; a outra é fisioterapeuta na UTI de um hospital na região da Paulista. Normalmente, SAI do trabalho às 7 da manhã, mas hoje estava de folga.

***
A música que a gente adorava cantar no Colégio (em duas vozes, o que era uma glória) era “o Louvado”, como dizíamos. “Louvado seja o meu senhor (4x)/ Por aqueles que agora nascem/ Por aqueles que agora morrem...”.

***
Eu freqüentava a Missa das Crianças, às 9 da manhã na Paróquia de Santa Terezinha. Era no salão paroquial nos fundos da igreja, rezada o Padre Giba (que as crianças, insolentes sem querer, chamavam só de Giba). As crianças se encarregavam de tudo: a procissão inicial com os paramentos do padre e os objetos para o altar, a procissão de oferenda, as leituras... Arrumavam as cadeiras, limpavam o salão depois... Eu adorava aquilo. Queria saber tudo, participar de tudo. Quando havia missas especiais, em que eram distribuídos presentes para as crianças do bairro (chocolates na Páscoa, por exemplo), eu sempre me voluntariava para participar da organização. Passávamos horas enchendo coelhos de plástico com confeitos...

Um dia, resolveram eleger uma “diretoria” para que houvesse responsáveis fixos por determinadas tarefas, para representar as crianças junto ao padre e sei lá mais o quê. Sei que me elegeram presidente – e eu juro, por tudo que é mais sagrado, que fiquei surpresa. No Colégio, eu sabia que era bem conhecida (tinha entrado na primeira série com 5 anos, tirava notas muito boas, essas coisas), mas na igreja eu não tinha percebido ainda.

E aí estão duas raízes importantes da minha militância política: o Colégio e a igreja. Em casa, a grande influência era minha mãe – que nunca participou de nenhum movimento organizado, mas era uma revoltada de marca maior :o). Indignada com a ditadura, tortura, censura, injustiça, desigualdade, hipocrisia, incoerência, indiferença, opressão, exploração, egoísmo... Racismo, machismo, capitalismo... Uma frase clássica de minha mãe: “Nunca vou ser rica!”. Era o que dizia, com raiva, quando via alguma cena de miséria. Não admitia excesso de um lado e tanta falta de outra.

***
Depois da missa e de uma de minhas experiências gastronômicas favoritas – café-com-leite e pão-com-manteiga-na-chapa na padaria – fomos até uma das creches mantidas pelos religiosos em convênio com a prefeitura.

No total, são 7 creches e 3 ou 4 núcleos sócio-educativos (para adolescentes e jovens). Essa que eu conheci é um espetáculo. Tudo é tão bem cuidado – as salas para as crianças, refeitório, cozinha, banheiros, salão de encontros – que inspira confiança só por ser como é. E pudemos ver as professoras em ação, cuidando com muita atenção da molecadinha. Uma graça. (E eu lembrei de como trabalhar em creche é exaustivo... Especialmente quando as condições são ruins e você tem 20 crianças para olhar sozinha, como aconteceu em alguns casos).

Muita gente boa da educação é contra os convênios; os aceitam como solução complementar porque a rede própria da prefeitura não daria conta de atender todo mundo (já tem um déficit monstruoso de vagas). Eu não, sou a favor. Desde que haja acompanhamento – da prefeitura e dos pais – é ótimo que a própria comunidade organizada tenha um equipamento como esse para suas crianças. Conheci várias creches conveniadas nas quais deixaria minha filha com tranqüilidade – na favela de Heliópolis ou no Núcleo Cristão do Parque Novo Mundo. A responsabilidade e dever de oferecer vagas para todas as crianças É do Poder Público, mas a oferta do serviço pode ser em parceria, sim, com muita qualidade. (E o equipamento administrado diretamente pela prefeitura também precisa de acompanhamento para garantir que o serviço seja bom!).

***
Antes de visitar a creche, encontrei o Padre Noé em seus aposentos, que ficam no prédio da creche. Uma pessoa muito conhecida e querida na Freguesia, grande líder na construção de toda essa rede comunitária. Já tinha ouvido falar muito nele, mas conhecê-lo foi uma experiência encantadora.

Sabe aqueles líderes religiosos na presença dos quais você se sente serenamente bem, comovido, acolhido com calor genuíno, generosidade sincera, pura bondade? Foi como me senti. Já passei por isso no encontro com alguns mestres budistas, que parecem irradiar bem-querer e bem-estar. Foi uma sensação idêntica. Que querido, o padre Noé!

***
Até aqui, não eram nem dez da manhã – e o dia teve muito mais do que isso. Estive no Fórum, a um Clube Escola, fui para a Câmara, corri até a FAU Maranhão para tentar comparecer ao velório do Joaquim Guedes (como é chocante alguém morrer atropelado... Não me conformo), estive no dentista, encontrei um conhecido de muito tempo atrás na Paulista, um “maluco” (auto-definido) na calçada disse que sonhava me conhecer, vim para uma lan house e agora vou a um evento do Ivaldo Bertazzo na Ria Vitória. Em cada uma dessas frases entre vírgulas, há muito que contar (ok, posso dispensá-los do dentista). Talvez eu consiga escrever mais um pouco ainda hoje, mas não prometo. Aliás, não prometo nada que eu não tenha certeza que posso fazer :o).



Escrito por Soninha às 19h53
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Sem torcida organizada - mas sem portões fechados!

A assessoria do Democratas ligou querendo fazer um trato para o debate da Bandeirantes, dizendo que é comum os partidos levarem suas “torcidas” e criarem uma certa situação de tumulto na porta da emissora. Eu não tinha nem pensado nessa possibilidade de tumulto, mas disse que se eles estavam preocupados conosco podiam ficar tranqüilos porque o PPS não leva claque aos eventos; não dá ônibus e lanche para os "torcedores" irem lá bater palma para o nosso time e vaiar os adversários...

Portanto, assinei esse trato, mas a gente avisou desde o começo que chegaria ao debate de bicicleta, acompanhados por tantos ciclistas quanto os que estiverem dispostos a acompanhar até lá... Não são militantes nem cabos eleitorais do PPS. (Imagino que uma boa parte deles vá votar em mim - porque sabem que eu quero ser prefeita para ajudar as bicicletas e não ajudar as bicicletas porque quero ser prefeita – mas não é um movimento eleitoral de apoio à candidatura, é mais um ato em defesa das bicicletas!
Além disso, muita gente quer ir ao debate e assistir de perto - porque é legal, é um momento raro. E como não tem lugar para todo mundo dentro da emissora, não vai haver crachá ou credencial para todos os acompanhantes, a Band providenciou uma área com um telão do lado de fora. A gente já divulgou esse endereço no site para quem quiser ir lá, e eu não vou agora desconvidar as pessoas e dizer: "Por favor, NÃO VÃO assistir ao debate porque nós fizemos um acordo entre os partidos".

Então, de novo, eu não vou organizar uma excursão de apoiadores até a Band, mas quem quiser ir assistir o debate no telão - e não fazer "corredor polonês" para os adversários - continua convidado. Se não era esse o combinado, foi mal aí. Ou fui eu que entendi mal ou foram eles (e a trilha do momento poderia ser "Vai ver/ que a confusão/ foi eu que fiz/ fui eu..." - Paralamas do Sucesso).



Escrito por Soninha às 18h24
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A Querelada sou eu

Amanhã, às 13:30, tenho um compromisso no Fórum Criminal da Barra Funda. Recebi um Mandado de Intimação determinando que eu compareça à “sala de audiências deste Juízo, (a fim de) participar da Audiência de Preliminar designada para o dia 29/07/2008 às 13:30”.

Trata-se de uma QUEIXA CRIME do Partido dos Trabalhadores – Diretório Municipal de São Paulo.

Reproduzo aqui alguns trechos do texto :

I – DOS FATOS

A Querelada, na edição de dezembro de 2007 da Revista Joyce Pascowitch, concedeu entrevista na qual imputou fato ofensivo à reputação do Partido dos Trabalhadores, lesionando sua honra objetiva, de forma dolosa, por meio de entrevista cujo teor se transcreve:

“J.P: Você acredita que existem motivos suficientes para mudar de partido?
SF: Agora que foi publicada essa decisão que pega no meu fígado, eu me arrependo tanto de não ter saído antes! (o STF definiu que o mandato pertence ao partido, e não ao vereador e, no dia da entrevista, o Supremo publicou a resolução de como o político pode se defender no processo – que Soninha não concordava por considerar muito rasa e subjetiva). Várias vezes entrei no gabinete e disse: ‘Chega’. Mas os colegas do PT que estão na mesma situação que eu falavam: ‘Espera, lá na frente tem uma eleição e tal, ano que vem o congresso do partido, não vamos desistir. Vamos lutar mais um pouco’. Até que chegou uma hora em que não fez mais sentido.

J.P: Qual foi a gota d’água?
S.F: No congresso do PT ficou bem claro que esse grupo dos decepcionados era minoria, sim. Elegemos uma quantidade ínfima de delegados. Se é tão evidente matematicamente que você é minoria dentro do partido, por que continuar ali? Como é que você escolhe um partido? Você se identifica com a maioria, e a minoria tem lá suas divergências. Então não faz sentido continuar. Teve outros episódios também, quando o Partido liberou a gente para votar contra um projeto, mas não deixou justificar. Isto é um absurdo! Eles têm medo da divergência? É muito mau sinal. Mas fico aliviada que o tempo todo escrevi sobre o meu desgosto no blog.

J.P: Você acredita que pode perder o cargo?
S.F: Tem essas coisas que sempre foram públicas. Tem outras que são privadas, aconteceram numa reunião, em um almoço. E é supercomplicado (SIC) levar isso para o tribunal. Parece divórcio litigioso. Mas não tenho escolha. Vou ter de dizer tudo isso na Justiça. Pessoas do próprio PT vieram se queixar de compra de voto para mim. Numa determinada campanha, um sujeito chegou lá e falou: “O que você acha de R$ 30 por voto?”. Mas são coisas que não tem como provar. Não levei gravador no almoço. Não dei queixa na polícia. É a palavra de um contra a de outro. É um processo tão esquisito, tem pouca materialidade. O Juiz vai dizer quem é mais fiel. O Partido vai dizer que nunca se desviou ideologicamente. E eu vou dizer: ‘Desviou sim, quem não desviou fui eu!’. E o juiz vai conferir um atestado de pureza ideológica para um de nós.”

Voltando ao foco da presente ação, observa-se que a Querelada insinua a prática reiterada de atos desabonadores no seio do Partido dos Trabalhadores, levando seu interlocutor à conclusão de que o Partido estimula e/ou acoberta a compra de votos por seus membros, como se esta fosse a razão para as dimensões que possui hoje o PT, e não o esforço de todos os seus membros que laboram em conjunto por seus ideais desde a década de 80.

[N.E.: Eu levei o interlocutor a essa conclusão??? Eu disse que a compra de votos é a razão pela qual o PT tem a dimensão que tem hoje?????. Enfim, prossigamos]

Quando questionada sobre os motivos que a levaram a sair do partido apontou oferecimento de votos em troca de vantagem econômica. (...) Não se imputou diretamente ao PT a compra de votos ou o estímulo a essa prática ilícita (...) mas a Querelada usou de ardil consistente na sobreposição de palavras que levaram à conclusão de que o partido é dado a estas práticas ou, ainda, que as acoberta. É o que fica claro quando a Querelada narra tais “episódios” quando tenta justificar sua desfiliação do PT.

(...) Essa via eleita, de imputação oblíqua, (...) evidencia de forma lídima o dolo com que ela se porta ao imputar estes fatos dissimuladamente ao Partido dos Trabalhadores. Quer dizer: há vontade, livre e consciente,  de atacar a honra objetiva do partido Querelante.

(...) Quando a Querelada imputou esses fatos desabonadores ao Partido dos Trabalhadores, ela possuía plena ciência de que atacava aquilo que de mais essencial e caro que possui o PT, que seja, o zelo pelo Estado Democrático de Direito tão arduamente construído ao longo da História recente do País.

(...) No Estado brasileiro, constituído sob sistema Democrático de Direitos, há um traço indelével do Partido dos Trabalhadores consistente na instituição da cidadania como fundamento da República (art. 1°, inc. II, da CF/88), traço este negado pela compra de sufrágio”.

[N.E: ah, vá].

(...)

III – DA OCORRÊNCIA DO DELITO

Dispõe o art. 139 do Código Penal:

“Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena – detenção de 3 meses a um ano, e multa”.

Logo, para que o delito se configure é necessário que seja imputado a alguém um fato que “embora sem revestir caráter criminoso, incide na reprovação ético-social e é, portanto, ofensivo à reputação da pessoa a quem se atribui”. (HUNGRIA, NELSON, Comentários ao Código Penal).

Mais: (...) “Não importa se o fato imputado corresponde ou não à realidade, se é falso ou verdadeiro, posto que normal pena visa, na espécie, coibir atitudes daqueles que se arvoram censores dos demais, posto que isto representaria um risco à paz social”.

(...) Como já apontado, as ofensas não são diretas, mas oblíquas. A Querelada constrói os fatos conforme responde às perguntas que lhe são dirigidas – “Você acredita que existem motivos suficientes para mudar de partido?”; “Qual foi a gota d’água?” ; e “Você acredita que pode perder o cargo?” – ao término das quais conclui por indicar como a possível razão da sua saída a compra de votos.

(...) Portanto, a ação da Querelada em imputar ao Querelante fato ofensivo à sua honra há que estar em desconformidade com o sistema jurídico, COMO O ESTÁ (...). Ademais, há outros inúmeros comandos de abstinência/proibição para o Ser em face da honra, decoro e prestígio de outrem.

(...) Um desses comandos de proibição é aquele que proíbe a divulgação de fatos, inclusive verídicos, que venham a ser ultrajantes à personalidade alheia – tipificação da difamação – posto que estes acontecimentos deveriam permanecer resguardados em exposição a crítica destrutiva do público em geral.

Neste compasso, se é vedada a divulgação de fatos verdadeiros, o que se dirá, então, de factóides imputados  a uma Pessoa Jurídica que venham a contrariar toda a história dessa pessoa e de seus membros, que durante anos lutam pela livre expressão das urnas, pelo debate e pela eliminação das injustiças sociais.

(...) As pessoas têm o direito de preservar a própria dignididade – adverte Adriano de Cupis – mesmo fictícia, até contra ataques da verdade, pois aquilo que é contrário á dignidade da pessoa deve permanecer um segredo dela própria. Esse segredo entra no campo da privacidade, da vida privada, e é aqui onde o direito à honra se cruza com o direito à privacidade”.

(...) O ânimo da Querelada foi de atacar publicamente a honra do Querelante, por meio de periódico de ampla influência. Suas alegações se revestem do mais cristalino animus nocendi extravasado no animus difamandi.

A sua culpabilidade se aclara na medida em que a Querelada, voluntariamente, atenta contra a honra objetiva do Querelante, visando à destruição/degradação desta, em que pese ter consciência da ilegalidade de seu ato (...).

(...) Face ao tanto quanto exposto, presentes todos os elementos constitutivos do delito de difamação, requerer:

a)     Seja a Queixa Crime autuada, designando-se audiência preliminar (...)

b)    Caso superada a fase a preliminar, requer seja recebida a Queixa Crime e processada para que, ao fim, a Querelada seja condenada como incursa no art. 139, agravado nos termos do art. 141, inciso III, ambos do Código Penal”.

***
Os negritos e sublinhados são todos do texto original, juro.

Morro de vontade de fazer uma dúzia de comentários sobre o texto da intimação, mas vou me conter por enquanto. Só não quero deixar de dizer o seguinte: ao entrar com ação na Justiça Eleitoral, o PT – exercendo um direito que lhe foi garantindo pelo STF – EXIGE que eu explique por que saí do partido, porque a saída injustificada pode me custar o mandato (a saída justificada também é um direito garantido pelo STF). Mas se alguém pergunta sobre o processo de perda de mandato em uma entrevista, o PT municipal PROÍBE que eu responda sobre as razões da minha saída.

Eu faço questão de dizer por que saí. Creio que é meu dever, quer houvesse ação na Justiça Eleitoral ou não. Mas se não posso dizer nada que seja desabonador ao partido, por que ele pode se sentir agredido em sua honra.

Assim fica difícil. É pra explicar ou não é?



Escrito por Soninha às 19h11
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Tão de sacanagem II

Deu no Estadão: “Sem propostas concretas, os candidatos à Prefeitura arriscam palpites sobre as ciclovias. São favoráveis, na maioria, ao uso de bicicleta como meio de transporte. Mas não há um plano concreto para que São Paulo receba ciclovias e ciclofaixas”.

COMO ASSIM, sem propostas concretas? Na verdade, todos os candidatos – exceto a Anaí, do PCO, e o Levy, do PRTB, que não pretendem investir nas bicicletas como meio de locomoção – dizem bem concretamente o que pretendem fazer em relação às bicicletas. E isso em versão resumida pelo jornal; talvez as idéias sejam ainda mais desenvolvidas e elaboradas do que aparecem ali (falo por mim – duas semanas atrás, respondi por email uma pergunta sobre bicicletas para o Estadão, em que detalhava várias propostas. Não usaram).

O plano concreto, resumidamente, é o seguinte: encomendar o projeto de um sistema cicloviário, prevendo pistas para circulação (ciclovias ou ciclofaixas), rotas sinalizadas, bicicletários e paraciclos, especialmente junto a terminais de trem, metrô e ônibus. A prefeita ou prefeito não tem de saber fazer uma ciclovia ou ciclofaixa tanto quanto não precisa fazer o projeto de um viaduto – tem engenheiro pra isso... (Eu tenho um Caderno Técnico da ANTP, Associação Nacional de Transportes Público, que detalha vários tipos de projetos. E a CET também tem estudos, assim como a Emurb, o Grupo Bicicletas, algumas Subprefeituras... Enfim, como eu disse ao jornal, o que falta é mandar fazer!

***
Não são só a Anaí Caproni e o Levy Fidélis que não botam fé em bicicletas como meio de locomoção. Em um debate na Casa da Cidade, uma mulher disse que isso era “coisa de burguês”. Alguns engenheiros de tráfego acham que “é impossível”, e uma urbanista disse, no Opinião Nacional, que esse negócio de bicicletas é “mito”.

Se não querem defender a idéia de trocar carro por bicicleta, ok (eu defendo). Mas não podem esquecer que 300 mil pessoas, no mínimo (o dado é de 2002), usam bicicleta diariamente para se locomover. Ainda que ninguém mais resolva circular por ai pedalando, esses centenas de milhares precisam de condições mais seguras. E tem alguns estudantes da USP, arquitetos, médicos, etc. (“burqueses”), mas tem muito garçon, pedreiro, porteiro, segurança, entregador...

Seria ótimo que mais burgueses aderissem, aliás. Até para se contrapor à história de carro como símbolo de status. Na Europa, todo mundo acha lindo ver o diretor da empresa pegando o metrô com o jornal debaixo do braço, ou a empresária pedalando para o trabalho com a sandália de salto na mochila. Aqui, é feio, é coisa de pobre ou de excêntrico...

***
Sinais evidentes dessa cultura: na Daslu, pelo que dizem, é impossível entrar a pé. Só de carro. Ou seja: 1) O lugar é só pra rico, mesmo (ah, vá). 2) Rico não anda a pé.

E quando um jornal perguntou como os candidatos  a prefeito de locomovem por aí, um coordenador da campanha da Marta disse, com orgulho: “Ela pode andar até de Fusca; a pé, ela não fica”.

Ele quis mostrar dinamismo, eficiência, organização. Mas chega a ser um ato-falho: por acaso seria um problema grave a candidata ficar a pé? É feio?



Escrito por Soninha às 16h15
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Reprovado pelos marqueteiros

O JT pediu para especialistas em marketing eleitoral e webdesigners avaliarem os sites dos candidatos à prefeitura.

O nosso teve dois comentários positivos ("a página apresenta as propostas de maneira clara" e "o e-mail para interagir com o eleitor, que é fundamental, está presente").

E três comentários negativos: um, sobre "o visual simples – o site é semelhante a um blog”. Uai, isso é negativo? Simplicidade é indesejável?

Outro: “Ela poderia optar por escrever ela mesma o blog”. (DIO, é claro que sou eu que escrevo! O blog, o programa de governo... É tudo texto meu. Mas é claro que eu não escrevo tudo e não mantenho o site sozinha, ou não faria mais nada da vida)

E este aqui: “O jingle está sem destaque e as fotos, escondidas”. Vixe, será que isso é o mais importante? O jingle e as fotos???

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Segundo o JT, "obtiveram os melhores conceitos as páginas da petista e do tucano, que oferecem mais vídeos, sons e materiais de campanha eletrônica". Ou seja, acho que isso é o mais importante mesmo...

Na análise detalhada: "Com cores bem exploradas, o site tem propostas de governo e diferencias estratégicos interessantes, como as seções "eu me lembro", "meu bairro, minha atitude" e "volta, Marta", diz o marqueteiro Sullyven de Andrade. Outro bom diferencial é a posibilidade de download do jingle. Para a webdesigner Erika Sarti, o blog de Marta poderia estar na página inicial". O ponto negativo é o eleitor não ter possibilidade de se comunicar com a candidata".

Tão de sacanagem. O meu site parecer um blog, é ruim. Mas o blog da Marta tinha de estar na capa. (Aliás, tem, sim, um link para o blog dela na capa. Mas será que é ela que escreve??).

Quanto ao nosso jingle: também dá para fazer download. É tão básico isso...

Voltando ao site da Marta: as “propostas de governo” não têm um link específico. Elas estão relacionadas no menu “conheça a Marta” – “propostas da Marta”. E ainda estão assim: “Saúde - construir o hospital de Brasilândia; construir o hospital de Jaçanã; construir o hospital de Parelheiros; aperfeiçoar as AMAs”. E mais nada em Saúde, por exemplo...

Passeando pelo site, encontram-se propostas melhorzinhas – no próprio blog, por exemplo. Mas avaliar o site positivamente porque ele tem “propostas de governo” é brincadeira!

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A página do Geraldo, segundo os especialistas, “explora bem o seu número em mensagem subliminar” (é bonito isso??); “os títulos das propostas estão claros e o layout é atrativo”.

Bom, eu acho o layout quadrado, caretésimo, bem ao estilo tucano... Mas tudo bem, é questão de gosto.

De fato, os títulos das propostas estão claros: “educação”, “trânsito”, saúde”, “transporte”. Mas, caramba, se não fossem esses, quais seriam os títulos??

Quanto ao conteúdo propriamente... Bem, vejam isso: “Durante o período em que Geraldo esteve no Governo do Estado, o Metrô ganhou 20 quilômetros. Na Prefeitura, Geraldo continuará a ampliar o Metrô”. 20 quilômetros, SÓ. Depois de apregoar que “foram 12 anos de governo tucano” (quando almejava a presidência)...

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Mas uma bronca eu aceito: “Utilizando emails fictícios, a reportagem do Jt enviou desde a segunda-feira até a tarde de quarta-feira três perguntas aos candidatos Alckmin, Kassab e Soninha, por meio de seus sites. (...) Até o fim da noite de ontem, não houve sequer um retorno”.

Vixe, me dá uma raiva saber que isso aconteceu... Eu posso dizer (e é a pura verdade) que a gente recebe centenas de perguntas por semana – no blog, no email, no Orkut, por telefone, pessoalmente, por jornalistas – e somos meia dúzia de gatos pingados tendo de dar conta de tudo. Procuramos responder TUDO e o quanto antes. Aliás, como eu faço questão de dar as minhas respostas de verdade, às vezes a assessoria (que não dá nem meia dúzia, é menos) fica amarrada esperando um texto meu. Mesmo assim, falhamos em no mínimo 3 mensagens, que ficaram sete dias sem resposta.  Que frustração.



Escrito por Soninha às 14h52
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Baldes de água fria

Toda semana a gente recebe um pedido de socorro: “Estão agredindo os moradores de rua, jogando água, spray de pimenta, dando borrachada!”

É um problema tristemente recorrente nos últimos tempos. Na hora de limpar as ruas, as pessoas que estão dormindo, embrulhadas em seus cobertores, são tratadas como lixo. Tacam água sem dó. Um absurdo.

Hoje o movimento da população de rua fez (mais) uma manifestação pelas ruas do centro, pedindo paz, pedindo respeito. Havia faixas e cartazes com frases como “Não somos contra a limpeza pública”; “Limpeza urbana ou limpeza humana?”.

A caminhada saiu da Praça da Sé, fez uma escala diante da Associação Comercial de São Paulo, outra diante dos escritórios do Governo do Estado na rua Boa Vista, uma parada diante da Bovespa e outra diante da Bolsa de Futuros, mais uma pausa na Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, na Secretaria de Coordenação das Subprefeituras e na Prefeitura.

Em cada um desses lugares, a intenção era apenas entregar um manifesto e o troféu “Cidade Limpa, Consciência Suja”. Ninguém queria agredir, ocupar, depredar, e isso ficava bem claro nas falas no carro de som. “Viemos em paz; queremos paz”. “Não tenham medo. Ninguém vai entrar à força. Queremos que alguém venha receber o troféu”.

Acompanhando os manifestantes, garantindo que a rua continuasse aberta para o tráfego de veículos, PMs de bicicleta. Calmos, respeitosos, nem carrancudos estavam. Ainda bem. Pareciam até solidários àquela gente desgrenhada, desdentada, caminhando lentamente.

Na ACSP e na Bovespa, depois de alguma insistência, deu certo – uma pessoa desceu para receber o folheto e o troféu. Nos outros lugares, não. E a maior burrice, insensibilidade, falta de tato (e até de esperteza) se deu na frente da prefeitura.

De novo, o discurso deixou claro: “Não queremos invadir. Queremos que alguém venha receber o manifesto”.  Nada. Ninguém veio. O povo insistia com palmas e gritos, à distância segura da entrada do prédio (até porque havia grades e GCMs). Não voou uma pedra, um pão velho, nada.

O movimento pediu, então, que uma comissão de 4 pessoas pudesse ir até o setor de protocolos, na recepção, entregar o manifesto – um representante dos catadores, um do movimento de moradia, um dos camelôs, um do movimento da população de rua. Os quatro se descolaram da massa e se dirigiram a uma entrada lateral, para não deixar nenhuma dúvida de que entrariam sozinhos, sem o grupo. Longos minutos de espera e... Nada feito.  Bateram que bateram o pé que só entraria um.

Santa teimosia, Batman. Enquanto esperavam sob o sol, cansadas, com fome e sede, algumas pessoas foram se irritando, perdendo a paciência, ficando tensas. E não é difícil entender que são homens e mulheres muito próximos da raiva e da revolta, que não custariam muito para perder a cabeça e querer pular a grade de meio metro que as continha. As lideranças se mantiveram firmes, pedindo atenção e a entrada da comissão. Não teve jeito. A inspetora da Guarda Civil que negociava com eles insistia na entrada de um só.

É uma marca triste dessa gestão:  a insensibilidade. Como disse ironicamente uma senhorinha, “podia ter descido um chefe-de-gabinete, um secretário, nem que fosse pra mentir!”.

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Diante da Secretaria das Subs e da Prefeitura, os manifestantes jogaram água e sabão para lavar o chão. “Eles querem limpeza? Aí está!”

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Ouvido na manifestação:

“Na rua tem pedreiro, tem encanador, tem eletricista. O povo da rua quer trabalhar!”

 “A Bolsa vai cair! Vai cair o euro, o dólar, vai subir a população de rua! A gente vai ficar aqui na porta até alguém vir receber o troféu. Olha a queda nas ações!” (um líder ao microfone – e é um cidadão “de rua” também)

“Vamos jogar água na cama do Kassab!” (um manifestante).

“Por que esse movimento?”, perguntou uma mulher que passava.
“Porque à noite sai o pessoal lavando a rua e joga água em quem tá dormindo na calçada. E se eles reclamam, tomam spray de pimenta, cacetada..”.
“Que horror!”

“O que eles querem?”, perguntou um repórter.
“Não querem ser tratados como lixo. Não querem só albergue (e tem poucos!); querem atividade durante o dia, querem atendimento em saúde, tratamento em saúde mental. Querem ser respeitados .  Que lembrem que embrulhado no cobertor tem gente”.

“A Assistência Social dá cobertor, a equipe de limpeza molha e a polícia joga no lixo!” (outro líder no carro de som).

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Eu continuo não acreditando que o prefeito ou o Andrea Matarazzo (Secretário das Subprefeituras, que leva a fama por todas essas arbitrariedades) mandem jogar água em quem está dormindo na calçada. Aliás, tenho certeza que não fazem isso. Aposto um braço. Mas se não dão ordens claras, firmes, sem deixar margem de dúvida, de que NÃO É para tratar a população de rua com brutalidade, erram por omissão. Ou falta de controle.

Essa população é tratada como se estivesse de sacanagem; como se ficasse na rua só pra contrariar, espezinhar, sacanear a prefeitura e o Viva o Centro... Parece que estão na rua porque estão a fim... “Mas tem gente explorando politicamente essas pessoas”, dirão alguns. E se tiver, isso faz dessas pessoas um inimigo a combater??

***
É verdade que muita gente na rua se recusa a ir para um albergue. E por que? Por vários motivos. Às vezes, por paranóia. Às vezes, por medo mais do que justificado... Alguns não querem ir porque querem fumar e beber, ficar perto de seus cães, tomar conta das carroças... Ficar perto dos amigos e da família. Parece frescura? Então coloque-se no lugar deles. Fumar e beber são praticamente as únicas formas de prazer a seu alcance. Um prazer nocivo, é claro – mas se é difícil para um indivíduo “classe A” abandoná-lo, por que seria fácil para eles? E se você chega a um hotel para passar as férias e informam que você vai ficar em um prédio e sua namorada em outro, que suas coisas têm de ficar do lado de fora, o que você faria?

Não é fácil lidar com essa questão, que é muito complexa. Mas a última coisa capaz de resolvê-la é criar (ou deixar rolar) uma situação de confronto nas ruas. A administração precisa resolver essa sua esquizofrenia – enquanto investe em escritórios de inclusão, AMA para população de rua e outros programas dessa natureza, deixa o carro-pipa virar bicho-papão desse povo.  Que já tem tanta dificuldade para confiar em quem quer que seja, e só fica mais arredio.



Escrito por Soninha às 14h01
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Ouvido de passagem

O rapaz está super orgulhoso do pai, que passou no exame para motoristas de vans, microônibus e ônibus. “É, mãe, ele foi o único que passou mesmo, e de primeira. O resto, todo mundo pagou pra passar”.

 

 



Escrito por Soninha às 12h45
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Viagens de domingo de manhã

Ainda remoendo o "eu não voto em ninguém".

 

Em um mundo ideal (i.e., que não existe), sou anarquista.

Nada de Estado, de representantes eleitos, nomeados ou auto-proclamados! A coletividade se organiza conforme a necessidade.

Também não tem dinheiro – que sempre leva alguns (todos?) à tentação de acumular, ter mais que os outros, guardar para o futuro, reservar o suficiente para viver 100 vezes com fartura.

Só trocas. Seus tomates pelas minhas aulas de inglês. Sua música pelos pães que eu fiz em casa.

 

Mas neste mundo em que vivemos... Tem jeito?

Só se for para começar uma comunidade do zero, e isolá-la do resto.

(O modo Amish de viver também parece impossível, mas rola...)

 

***

Sexta fui à bicicletada, que tende à anarquia: não tem um responsável, um líder, um organizador. A polícia, por exemplo, tem a maior dificuldade em entender isso (queriam a todo custo prender o “chefe” da bicicletada pelada, e levaram o André Pasqualini, um dos bicicletantes mais conhecidos, pro Distrito Policial, concluindo que era ele).

 

É muito legal a experiência de participar de um grupo que não tem chefe. Tudo é votado: “Vamos para o Ibirapuera ou a Praça da Sé”?

 

Mas lideranças aparecem espontaneamente. Assim que percebem que as bicicletas estão ocupando todo o espaço da avenida (são centenas!), avisam: “Deixa duas faixas livres!” Ciclistas se entreolham: “Quais?”. “As da direita! A do ônibus e mais uma!”. Uns só escutam, mas outros tomam para si a tarefa de gritar. “Libera a direita! Junta todo mundo do lado esquerdo!”. Outros, além disso, se posicionam nos pontos em que deve ser o limite da massa e ficam sinalizando para os demais. Outros pedem para diminuir o barulho quando passamos por um hospital.

 

Ainda é um movimento coletivo, com responsabilidade dividida entre várias pessoas. Mas e na hora de um impasse do tipo “Vira nessa à direita ou na próxima?”. O caminho está resolvido: vamos descer a Vergueiro até o centro. Mas em que ponto fazemos a conversão?

 

A massa começa a procurar alguém que responda. Não dá para botar em votação: estamos pedalando! Quem decide? Alguém vira chefe na hora e diz: “Na praça à direita!”. Claro que não é um chefe absoluto, autoridade para todas as coisas. Mas é um ponto ascendente sobre os demais no momento em que a horizontalidade levaria ao impasse, a confusão ou à dispersão.

 

Os antropólogos, sociólogos e biólogos podem explicar essa nossa tendência ou necessidade de escolher alguém responsável por decisões em nosso nome – somos animais de matilha, como os cães, que identificam e respeitam um líder? Talvez.

 

***

Com explicações científicas ou não, é fácil entender por que os humanos desenvolveram sistemas políticos representativos, divisão de trabalho, atribuição de responsabilidades diferenciadas... Como as formigas, abelhas e cupins.

 

Em “colônias” numerosas como as que vivemos, se não houvesse Estado, governo, poder executivo, definidos como estão, nos depararíamos com duas situações: lideranças aparecendo e se afirmando naturalmente (parece bom, não? E se fosse uma liderança irresponsável, egóica, tirana?) ou verdadeiros vácuos de decisão, sem ninguém para tomar iniciativa.

 

Menos viagem, mais exemplos concretos: se São Paulo não tivesse governo, se tudo se resolvesse por ação direta, quem cuidaria do tratamento de esgoto? Garantiria a captação e produção da água que sai pelas torneiras? Quem faria a passarela para pedestres e ciclistas cruzarem a marginal?

 

No mundo ideal (i.e., que não existe...) as pessoas se uniriam em mutirão e construiriam uma passarela. Quem iria cortar a madeira, tecer as cordas, fundir o metal para fazer pregos, fabricar o verniz para proteger das intempéries? Garantir as telecomunicações (telefone, computador) para combinar a data?  Fabricar a borracha dos pneus das bicicletas?

A “sociedade livre”? “Quem quiser fazer borracha, faz. Quem puder fabricar telefones e colocar o sinal no ar, que coloque”. Hmm... Já disse que esse papo me parece muito o da liberdade de mercado, que não me parece muito capaz de garantir justiça e igualdade não... É quando o anarquismo e o capitalismo se parecem demais. É o mundo da vitória dos mais fortes, dos mais capazes, dos mais espertos - ainda que não sejam honestos e justos.

 

No mundo real, sou a favor de Estado. De representantes eleitos, líderes que assumam a responsabilidade por determinadas tarefas em nome da coletividade. Com todos os defeitos que pode ter esse sistema, e não são poucos. (Um exemplo? Na democracia, os mais fortes são os que se organizam. Os desorganizados, ainda que sejam maioria, dançam. A massa invisível que não faz greve, não carrega faixas de protesto, não publica manifestos). Aperfeiçoemos, pois, o sistema.



Escrito por Soninha às 12h42
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