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Manhã movimentada II

7:10 – Entrevista por telefone para a CBN. “Como vai a candidatura do PPS?”. “Firme!”. Não vamos abrir mão da candidatura própria. Se algum partido do mesmo campo ideológico quiser vir junto, ótimo! Mas as chances são cada vez menores. Adoraria ter  o PV ao nosso lado, por exemplo, como no Rio (lá o PPS apóia a candidatura do Gabeira), mas desde o começo ficou claro que eles teriam candidato próprio ou entrariam para um dos “conglomerados” (acabaram fechando com o Kassab).  Também gosto da Erundina, mas o PSB só sai do bloquinho se fechar sozinho com um dos “grandes” (ou se o bloquinho inteiro fechar com alguém). Enfim, se ninguém quiser vir junto, nós vamos sozinhos. Ou melhor, com nossos eleitores :o)

7:30 – Blogar e responder emails

9:00 – Fórum Nossa São Paulo – apresentação de experiências argentinas, chilenas, peruanas, colombianas de mobilização da sociedade civil articulada com poder público.

12:00 – Programa Notícia Aberta, na TV Aberta São Paulo, junto com o Luiz Carlos Motta, dirigente da Força Sindical e da Federação dos Empregados no Comércio de São Paulo. Em pauta: a superlotação no metrô e o “agente empurra”; pobres pagam mais impostos do que os ricos; papel da Centrais Sindicais.

Minhas opiniões, resumindo: o metrô de São Paulo anda super lotado por vários motivos. Nosso sistema de  metrô começou tarde, avançou muito lentamente e do jeito errado. A linha amarela era muito mais urgente do que a lilás, por exemplo – porque metrô é super indicado para a região central, em áreas super ocupadas, e ajudaria a desafogar as outras (azul, vermelha  e verde). (Quem quiser ir da Câmara até as Clínicas de metrô precisa pegar a vermelha do Anhangabaú até a Sé; a azul até o Paraíso; a verde até a estação mais próxima ao hospital).  Além disso, tem a péssima ocupação do território da cidade, com tudo concentrado na região central e quase nada oferecido na periferia (trabalho, lazer, equipamentos públicos). Obrigando milhões de pessoas a se deslocar todo dia, não há metrô que dê conta. E as tentativas de orientar os passageiros não deram muito certo – tem alto-falante, cartaz, pintura no chão, palhaço fazendo graça, mas não adianta: as pessoas entram e param na porta, mesmo tendo espaço mais para dentro! Enfim, ter alguém empurrando é PÉSSIMO; seria melhor continuar orientando, orientando, orientando. Mas talvez seja uma solução “bode na sala”: “Viu como é melhor ser educado do que empurrado?”. Dá um incômodo extra nas pessoas e depois pára com isso. E talvez seja melhor do que deixar as pessoas se empurrando entre si...

Sobre tributos: quando se fala em reforma tributária, todo mundo lembra que precisa reorganizar, simplificar, dar um trato em todo o sistema de arrecadação – e que precisa “reduzir impostos”. Precisa, claro. Em alguns casos. Em outros, precisa aumentar. Pobre paga mais do que rico; rico tem de pagar mais para pobre pagar menos (não é só “cortar gastos do governo”...). Setor produtivo paga mais do que mercado financeiro. Salário paga imposto; dividendo não paga imposto!

13:00 – Gabinete. Emails, despachos com assessores... Segue o dia.



Escrito por Soninha às 13h48
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Manhã movimentada

[A de terça-feira, quando comecei a escrever isto - e só consegui terminar agora]

às 9:00, tive reunião com o Secretário da Assistência e Desenvolvimento Social.

Em pauta:

1) Fiscalização das condições físicas e estruturais dos albergues e da qualidade da prestação de serviços. Existem leis, decretos e portarias que determinam como devem funcionar os albergues para população de rua, dispondo sobre o número de pessoas atendidas, a composição da equipe de profissionais, as condições de salubridade, etc. Fizemos uma série de visitas a equipamentos, apuramos algumas irregularidades (conforme relatamos aqui no site) e enviamos um ofício para a SMADS, que questionou as entidades conveniadas (responsáveis pela operação dos albergues) e nos encaminhou as respostas. Achamos as explicações insatisfatórias e fomos cobrar uma ação mais firme da SMADS. O Secretário concordou e apontou algumas providências que eles já estão tomando a respeito. Basicamente, inspeções in loco, verificando até o aspecto visual de cobertores, toalhas, chão... Ótimo.

2) Além disso, existe um conflito permanente entre o CAPE (Centro de Atenção e Proteção Especial, da Secretaria), os albergues e a própria população de rua em torno da oferta de vagas. Situações comuns: a população de rua é orientada a ir para a porta do albergue e esperar lá para ver se vai ter vaga ou não – o que é muito ruim, porque no fim pode não ter. Ou então as pessoas são orientadas a NÃO ir para a porta do albergue e sim procurar o CAPE para que ele indique onde existe um albergue com vagas. E o mais freqüente é os albergues informarem ao CAPE que não têm vaga nenhuma... Em um caso ou em outro, acontece muito de os próprios albergados dizerem, no dia seguinte, que “tinha um monte de cama vazia” – e um monte de gente dormindo na rua.

Os albergues têm mesmo de ter alguns leitos reservados para sua clientela fixa – isto é, pessoas que têm vaga reservada ali. Se elas não aparecerem , a cama vai ficar vazia. Mas todo albergue tem um horário limite para permitir a entrada dos freqüentadores; depois daquele horário, poderiam liberar as vagas extras.  Só que também é fácil dar um golpe: dizer “não tem vagas, está lotado”; receber pela ocupação total e funcionar pela metade. Tem gente que jamais faria isso; tem gente que faz...

O Secretário disse que também está atento e proocupado com isso e falou em desenvolver um método de acompanhamento e controle permanente  + inspeções aleatórias. Eles estão trabalhando nisso.

3) Falamos ainda sobre o encontro que aconteceu recentemente entre “Cidades Líderes” para trocar experiências sobre população de rua: Los Angeles, Nova York, São Paulo, Melbourne, etc. Coisas que deram errado e o que tem dado certo.

Los Angeles, por exemplo, concentrou todos os serviços sociais em uma determinada região do centro. Acabou virando quase um gueto, foi péssimo. Todas as tendências apontam na direção da descentralização de serviços.

Nova York tem um órgão específico para população de rua e um número grande de policiais de “Angels” (agentes de proteção social) totalmente voltados para isso. A porta de entrada lá é a da Saúde – lá como cá, o alcoolismo é um problema gravíssimo, muito presente, além da dependência de outras drogas. Depois de se tratar e ficar “limpa”, a pessoa vai para a formação profissional e encaminhamento para o trabalho, com o compromisso de se manter afastada das substâncias que lhe fazem mal. Se ela tiver uma recaída, está fora... do programa de trabalho, não da rede de proteção. Ela não volta para a rua e acabou; volta para a Saúde.

É importante haver um equilíbrio muito cuidadoso entre flexibilidade e compromisso. Os horários de entrada e saída dos albergues, por exemplo, podem ser menos rigorosos (alguns foram ampliados), mas existem condições que o albergado não pode deixar de atender. Se isso não for estabelecido, se nada for esperado ou exigido dele, ele nunca vai sair da condição de vulnerabilidade e dependência para uma de mais autonomia.

(Algumas pessoas talvez jamais o consigam. Nenhum lugar do mundo, em nenhuma época, deixou de ter pessoas vivendo na rua, porque algumas são incapazes de fazer parte da sociedade do modo como a concebemos. Mas aqueles que têm possibilidade de fazê-lo precisam ter o encaminhamento correto).

4) Assunto inevitável: catadores. Ou bem a prefeitura cria muito mais centrais de triagem, para que eles possam trabalhar devidamente protegidos e de maneira muito mais eficiente junto às esteiras, com reais possibilidades de melhorar sua renda e condição geral, ou não pode continuar apreendendo carroças e os impedindo de trabalhar. Os catadores têm sua clientela, que inclui condomínios e empresas. Tiram daí o seu sustento (precário!) e cumprem uma função ambiental - para onde iria esse material todo? São explorados por atravessadores e trabalham em condições duríssimas. O papel do poder público é melhorar sua situação, não reprimi-los com força policial!

O Secretário concordou e se comprometeu a estreitar contatos com as Secretarias de Serviços, de Trabalho e das Subprefeituras.

5) Penúltimo tema: adultos e crianças com drogadição. O Secretário tem a convicção de que precisa haver um espaço para receber pessoas que precisem de cuidado mais intensivo, seja para passar o dia ou mesmo para o pernoite. Também vamos insistir muito nisso (como temos insistido nesses últimos anos todos, e a Saúde finalmente fez alguns avanços).

6) Projovem: os professores do projeto estão sem receber por causa de uma pendência jurídica/ administrativa com o governo federal que fez com que o repasse de recursos para o município fosse suspenso. Faremos contato com o Ministério Público Federal e teremos uma reunião sobre o projeto na Comissão de Juventude na semana que vem, para entender melhor o que está acontecendo e pressionar por uma resolução.

***
Saindo de lá, por volta das 10:30, passei pela reunião do COMUDA, Conselho Municipal de Política sobre Álcool e Drogas. Por coincidência, havia uma apresentação de um técnico da própria SMADS, falando sobre o projeto da Nova Luz - que a gente se acostumou, infelizmente, a chamar de "cracolândia". Com muita lucidez, do alto de uma longa experiência na área, ele destruiu alguns tabus, preconceitos, frases feitas, equívocos. Lembrou que é preciso muita, muita paciência, muita persistência e competênciapor parte do poder público para tratar de uma criança dependente de crack, por exemplo. "Acho incrível um educador ficar ofendido porque uma criança o mandou "tomar no c...". O que ele espera, que o menino passe pela porta do equipamento social e se transforme em um lorde? Um menino que passou tanto tempo usando a rua como banheiro que não sabe usar um vaso sanitário? Um menino que faz "chupetinha" por 3 reais para ter dinheiro para comprar uma pedra é uma pessoa totalmente desintegrada de quaisquer valores que nós prezamos. Uma pessoa que não tem qualquer confiança nos adultos, de quem só obteve maus tratos, mentiras, exploração. Nós temos de ser adultos em quem eles possam confiar. Não será fácil, é claro que não".

For uma longa exposição; esse é um resumo muito superficial mas representativo. É chocante? Claro que é. Estamos falando de uma realidade torpe e não podemos ter diagnósticos e expectativas irreais.

Ficou combinado que no próximo semestre faremos uma séria discussão sobre isso na Comissão da Criança, Adolescente e Juventude (o calendário deste semestre está fechado).

***
Na saída dessa reunião, pouco depois do meio-dia, encontrei um Guarda Civil que conheci anos atrás, quando ainda era candidata a vereadora. Ele estudava Gestão Pública; fez cursos no IPESG e ainda freqüenta a Escola de Governo. Um rapaz encantador, evidentemente interessado e preocupado com a política, a sociedade, esse mundo em que vivemos. Espero conseguir entrevistá-lo um dia aqui para o site.



Escrito por Soninha às 10h21
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Comentando outra entrevista

Só ontem eu li como saiu uma entrevista que dei por telefone ao JT (reproduzida abaixo), e ela contem um erro grave de interpretação. Ao que tudo indica, foi um mal entendido. Quando eu digo (na última frase) que “isso não deveria ser assunto do exército nem da polícia”, “isso” = o uso de maconha. Maconha pode fazer mal? Pode. Fumaça para dentro do pulmão nunca é saudável. Fazer algumas atividades sob efeito de maconha é arriscado. Existe uma possibilidade – não muito grande, mas existe – de haver um quadro de dependência. Mas isso é assunto da Saúde, não da polícia. Imagine se decidissem usar exército e polícia para tentar nos impedir de consumir tudo o que pode fazer mal... Podiam criminalizar a venda de torresminho.

 

PS: Tem outro probleminha. A palavra “liberalização” (do comércio). O certo é “legalização”. O que é legalizado tem normas, limites, controle. “Liberalizar” dá uma idéia de oba-oba que não é legal (sem trocadilho!)

 

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"Não se pode impedir"

 

A Vereadora e pré-candidata à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine (PPS), diz ser a favor da legalização. "A ilegalidade da droga cria um mal muito maior do que a liberalização do comércio. A violência que tem bases no comércio ilegal e na repressão da maconha é muito mais problemática do que o próprio consumo. Não podemos impedir o uso", diz Soninha. A vereadora, que se encontra em uma conferência de estudantes na Argentina, diz lamentar por não poder estar presente na Marcha da Maconha, hoje, no Parque do Ibirapuera. "Só não vou

participar porque estou em Buenos Aires, mas o meu apoio é grande. E não se trata de apologia não, sempre que apoiamos esse tipo de manifestação encontramos alguém que nos acusa de apologistas. Trata-se de pensar na sociedade. Isso (o narcotráfico) não deveria ser assunto de exército nem de polícia."



Escrito por Soninha às 09h02
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A carta da Marina Silva

“Caro presidente Lula,

Venho, por meio desta, comunicar minha decisão em caráter pessoal e irrevogável, de deixar a honrosa função de Ministra de Estado do Meio Ambiente, a mim confiada por V. Excia desde janeiro de 2003. Esta difícil decisão, Sr. Presidente, decorre das dificuldades que tenho enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental federal.

Quero agradecer a oportunidade de ter feito parte de sua equipe. Nesse período de quase cinco anos e meio esforcei-me para concretizar sua recomendação inicial de fazer da política ambiental uma política de governo, quebrando o tradicional isolamento da área.

Agradeço também o apoio decisivo, por meio de atitudes corajosas e emblemáticas, a exemplo de quando, em 2003, V. Excia chamou a si a responsabilidade sobre as ações de combate ao desmatamento na Amazônia, ao criar grupo de trabalho composto por 13 ministérios e coordenado pela Casa Civil. Esse espaço de transversalidade de governo, vital para a existência de uma verdadeira política ambiental, deu início à série de ações que apontou o rumo da mudança que o País exigia de nós, ou seja, fazer da conservação ambiental o eixo de uma agenda de desenvolvimento cuja implementação é hoje o maior desafio global.

Fizemos muito: a criação de quase 24 milhões de hectares de novas áreas de conservação federais, a definição de áreas prioritárias para conservação da biodiversidade em todos os nossos biomas, a aprovação do Plano Nacional de Recursos Hídricos, do novo Programa Nacional de Florestas, do Plano Nacional de Combate à desertificação e temos em curso o Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

Reestruturamos o Ministério do Meio Ambiente, com a criação da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro; com melhoria salarial e realização de concursos públicos que deram estabilidade e qualidade à equipe. Com a completa reestruturação das equipes de licenciamento e o aperfeiçoamento técnico e gerencial do processo. Abrimos debate amplo sobre as políticas socioambientais, por meio da revitalização e criação de espaços de controle social e das conferências nacionais de Meio Ambiente, efetivando a participação social na elaboração e implementação dos programas que executamos.

Em negociações junto ao Congresso Nacional ou em decretos, estabelecemos ou encaminhamos marcos regulatórios importantes, a exemplo da Lei de Gestão de Florestas Públicas, da criação da área sob limitação administrativa provisória, da regulamentação do art. 23 da Constituição, da Política Nacional de Resíduos Sólidos, da Política Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais. Contribuímos decisivamente para a aprovação da Lei da Mata Atlântica.

Em dezembro último, com a edição do Decreto que cria instrumentos poderosos para o combate ao desmatamento ilegal e com a Resolução do Conselho Monetário Nacional, que vincula o crédito agropecuário à comprovação da regularidade ambiental e fundiária, alcançamos um patamar histórico na luta para garantir à Amazônia exploração equilibrada e sustentável. É esse nosso maior desafio. O que se fizer da Amazônia será, ouso dizer, o padrão de convivência futura da humanidade com os recursos naturais, a diversidade cultural e o desejo de crescimento. Sua importância extrapola os cuidados merecidos pela região em si, e revela potencial de gerar alternativas de resposta inovadora ao desafio de integrar as dimensões social, econômica e ambiental do desenvolvimento.

Hoje, as medidas adotadas tornam claro e irreversível o caminho de fazer da política socioambiental e da economia uma única agenda, capaz de posicionar o Brasil de maneira consistente para operar as mudanças profundas que, cada vez mais, apontam o desenvolvimento sustentável como a opção inexorável de todas as nações.

Durante essa trajetória, V. Excia é testemunha das crescentes resistências encontradas por nossa equipe junto a setores importantes do governo e da sociedade. Ao mesmo tempo, de outros setores tivemos parceria e solidariedade. Em muitos momentos, só conseguimos avançar devido ao seu acolhimento direto e pessoal. No entanto, as difíceis tarefas que o governo ainda tem frente sinalizam que é necessária a reconstrução da sustentação política para a agenda ambiental.

Tenho o sentimento de estar fechando o ciclo cujos resultados foram significativos, apesar das dificuldades. Entendo que a melhor maneira de continuar contribuindo com a sociedade brasileira e o governo é buscando, no Congresso Nacional, o apoio político fundamental para a consolidação de tudo o que conseguimos construir e para a continuidade da implementação da política ambiental.

Nosso trabalho à frente do MMA incorporou conquistas de gestões anteriores e procurou dar continuidade àquelas políticas que apontavam para a opção de desenvolvimento sustentável. Certamente, os próximos dirigentes farão o mesmo com a contribuição deixada por esta gestão. Deixo seu governo com a consciência tranqüila e certa de, nesses anos de profícuo relacionamento, temos algo de relevante para o Brasil.

Que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos.

Marina Silva”

 

***
Hoje vi um deputado ruralista - foi como o apresentaram - se queixar que o MINC "é outra Marina", e que o Brasil não pode esperar mais para sair do "atraso". Parece que estamos demorando muito para derrubar aquele mato todo e fazer pastagem no Brasil todo!



Escrito por Soninha às 23h32
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Comentando uma entrevista – a minha

Muitas vezes eu sinto o impulso de reproduzir e comentar entrevistas lidas, como deve acontecer com todo mundo. Mas com o tempo (e a experiência de ser entrevistadora e entrevistada), minhas interpretações e comentários foram ficando muito mais repletas de “se”. “Se foi isso mesmo que ele/ela disse...”. Porque muitas, muitas vezes não foi. Pode acontecer do jornalista entender errado. Ele (ou seu editor) podem distorcer alguma coisa, até mesmo sem querer (sim, claro que pode ser de propósito), ao tirar de contexto, mudar a ordem das declarações, mudar uma palavra, retirar um advérbio. Sem falar nas situações em que não importa o que você responde – o jornalista já sabe o que vai escrever...

 

*** 

(Exemplo de como a ordem dos tratores altera o sentido do viaduto é a famosa declaração do Tom Jobim: “Nova York é muito bom mas é uma merda. O Rio é uma merda mas é muito bom”.) (Ou as frases eram com Estados Unidos e Brasil? Agora não lembro).

 

*** 

Quando anunciaram, com enorme destaque, “Erundina aceita ser vice da Marta”, levei um susto. Até escrevi um post enciumado. Perguntei ao amigo que me passou a notícia por celular: “Fato ou boato?”. “Tá na Folha, com aspas dela!”. Só mais tarde li a matéria. Hmm... Erundina disse que "aceitaria"; que hoje em dia as pessoas não teriam tanta resistência a uma chapa com duas mulheres quanto na época em que ela disputou a prefeitura. Pode até ter sido essa a pergunta “principal” da entrevista (“Você seria vice da Marta, sabendo que o eleitorado pode ter preconceito contra uma chapa só de mulheres?”) O fato é que a notícia NÃO ERA “Erundina VAI ser vice da Marta”, como pareceu à primeira vista.

 

Enfim, a imprensa não é, por mais que procure ser correta (nem sempre tenta), isenta de subjetividade. Quem pauta, escreve e edita é sempre um ser humano, com seus julgamentos, opiniões, interpretações. A gente não pode ler achando que o que está ali é um FATO completamente objetivo. É sempre a visão de alguém diante de um fato.

 

***
(Aliás, estou louca para ver o filme Ponto de Vista. Como disse o Dennis Quaid em entrevista, “O que você pensou que tinha visto... Não é o que você viu”).

 

***

Ah, e tem outra coisa. Às vezes o entrevistado também se expressa mal, oras. Ou diz alguma coisa e, mais adiante, pensa melhor: “Não era bem isso que eu queria dizer, mas agora já foi”.

Mas as palavras escritas ganham um peso de verdade talhada em pedra, que é terrível. Já passei por isso também como entrevistada e tive de lidar com isso como entrevistadora (casos em que o entrevistado ligou e pediu para não usar determinada resposta, porque não era bem verdade, tinha sido dito em um impulso, etc.)

 

***

Depois dessa looonga digressão, vamos a ela – minha entrevista, ou melhor, meu perfil no Valor Econômico. Por partes.

 

1) Título (quase sempre um problema!): “Soninha mira eleitorado de Marta”. Na-ni-na-não. Tanto se pode dizer que eu miro o eleitorado de todo mundo – é eleição majoritária; precisarei de mais votos do que todos eles – quanto que eu não miro o eleitorado de ninguém. Quero o meu. Parece que voto é um bem que você confisca; que pertence a alguém e você vai lá e tira. Eu quero que as pessoas votem em mim e no meu partido. Se antes de nós aparecermos elas iam votar em outro, o que fazer? Dizer “esse voto já tem dono, não vou querer?”. Eu quero todos.

 

2) “[Soninha] Vai retirar votos do eleitorado jovem, das mulheres e da parcela dos paulistanos que buscam uma candidatura de protesto contra os esquemas tradicionais da política”. Hmm... Pode ser. Mas continuo implicando com o “retirar”; preferiria “receber”.

 

(Quem escreve é tão implicante enquanto leitor quanto um motorista quando está no banco do passageiro...)

 

3) Sobre a pesquisa citada na matéria – não sei bem que tipo de pesquisa foi, mas eles concluíram que eu posso chegar a 5% dos votos, “todos retirados da seara de Marta”. Como já disseram milhares de outros candidatos antes de mim, “pesquisa é um retrato do momento”, hehehe. Nem sempre o futuro é o que aquele retrato sugeria... (Às vezes parece que nem precisa de urna, é só fazer pesquisa de intenção de voto com três mil pessoas e pronto, tá resolvido!).

 

4) A frase “tornou-se amiga de Serra e escolheu ao sair do PT um partido que está representado no governo estadual com a secretaria da Cultura e na prefeitura com cargos de segundo escalão” contém vários problemas. Os factuais: o cineasta João Batista de Andrade, filiado ao PPS, foi Secretário da Cultura no final do governo Alckmin. O atual, João Sayad (que foi Secretário de Finanças na gestão da Marta) não é do PPS. No município, o Secretário de Serviços, Dimas Ramalho, foi eleito deputado federal pelo PPS. Primeiríssimo escalão. Os interpretativos: ao colocar isso tudo em uma frase só, parece que tem uma relação de causa e efeito. “Ficou amiga e foi para um partido da base governo”. Na-ni-na-não. Junte duas partes e obtenha alguma coisa completamente diferente da soma delas... É como dizer “esteve com o ministro Tarso Genro (de quem eu gosto muito) e foi processada pelo diretório municipal do PT”. As duas coisas são verdade e não têm xongas a ver uma com a outra.

 

Tenho amigos em vários partidos (PSDB, PSOL, PCdoB, PV, PT...); amigos em vários governos (municipais, estaduais e federal) e parlamentos. Fui para o PPS quando já estava convencida de que sairia do PT e não iria para partido nenhum; eles me fizeram mudar de idéia com palavras e com atitudes que comprovaram as palavras. Já falei bastante sobre isso e ainda falarei e muitas vezes mais.

 

5) Segundo a matéria, um dirigente do PT acha que será “impossível conseguir entrar no eleitorado jovem das grandes periferias”. É, deve ser por isso que dos meus 50 mil e tantos votos na eleição para vereadora, 15.783 foram na "perifa" e outros tantos (10.144) em bairros que têm classe média mas também têm áreas muito mais pobres, como Santo Amaro, Jabaquara, Saúde, Butantã... Enfim, deixa pra lá, querem me carimbar como "burguesia' (como outros já quiseram carimbar a Marta).

 

6) Na segunda parte da matéria do Valor, outro título “forçado”: “Candidatura foi discutida com Serra”. Parece até que ele participou da decisão... A opinião dele foi parecida e teve o mesmo peso que a da minha filha de onze anos (afinal, são duas pessoas de quem eu gosto e respeito muito, oras) – na linha do “Você tem CERTEZA de que é isso mesmo que você quer? Que vai agüentar? Você já vive tão cansada!”.  Aliás, é óbvio que ouvi muitas pessoas queridas, amigos e assessores, para ver se alguém conseguia me convencer a não ir - porque desde o começo eu fiquei 85% inclinada a aceitar. Não foram poucos os que fizeram muitas observações sobre problemas e dificuldades de todos os tipos - mas também houve quem ficasse entusiasmado desde o começo, dizendo "VAMOS!"

 

7) “A imagem de figura fora dos esquemas tradicionais de poder é cultivada com esmero”. Pra começar, “esmero” é uma palavra que não combina comigo, infelizmente. Às vezes até percebo que estou esculachada demais, penso em dar uma melhorada, mas não agüento. E não “cultivo imagem de figura fora dos esquemas etc.” – será que é difícil aceitar que se pode estar dentro da política e fora dos “esquemas tradicionais”?

 

8) Meu Corsa é Hatch. (Acho que sedã é outro tipo, não é? Parece bobagem, mas eu fiz muita questão de ter um carro compacto, porque acho boa a tendência “carro pequeno”. Não queria mais andar por aí com a Quantum, ocupando uma área enorme sem necessidade).

 

9) A minha auto-definição não é a de quem “participa [da política] à distância”. Não sou “outsider”, sou “insider”. Participo bem de perto, não “à distância”. O problema é que eu acho que A POLÍTICA está distante demais das pessoas e vice-versa. As pessoas detestam política – não só porque ela é repleta de problemas, mas também porque não entendem mais de metade. Na escola a gente não aprende o que é, pra que serve, como funciona. E tanto os analistas quanto os próprios políticos às vezes se expressam de maneira incompreensível (como advogados e juízes, em outras ocasiões). Por isso eu “procuro falar de modo que as pessoas entendam”. E falo de dentro (não de longe)!

 

10) Eu falei várias vezes, inclusive em entrevistas, que gostaria de ser ombudsman de alguma administração – de qualquer administração. Um cargo que não existe – tem ouvidor, corregedor, mas não ombudsman. Um fiscal da qualidade do serviço público dentro do serviço público. Alguém que tivesse o espírito crítico da oposição mas interessado em melhorar a própria administração (como a oposição deveria estar, mas enfim...). Só que eu pensei nisso quando achava que nunca mais ia disputar eleição nenhuma – ou seja, a ordem dos fatores está invertida. Agora eu vou disputar o posto de chefe do Executivo. Posso até perder, fazer o quê? Mas se ganhar devo criar o cargo de ombudsman :o))

 

11) A frase “não faço oposição ao governo federal” está errada. O certo é “não faço oposição raivosa ao governo federal”. Aliás, não faço oposição raivosa, ponto.

 

12) Faço observações “ambivalentes” sobre o governo Marta? De novo, parece que só se pode aprovar completamente ou reprovar completamente. A administração da Marta teve feitos importantes: a implantação do Bilhete Único, os CEUs, os Telecentros, alguns dos corredores. Também teve sérios problemas – obras viárias discutíveis (como os túneis e o projeto da mega-ponte estaiada), o anúncio de um “novo hospital” que não era sequer um canteiro de obras quando o governo terminou, os empenhos cancelados no fim da gestão, etc. E realmente a relação com a Câmara era de “rolo compressor” – ai dos vereadores do próprio PT que quisessem analisar com calma algum projeto do governo... (E isso está registrado na própria matéria, mais adiante).

 

13) “É muito difícil fazer projetos” é a minha última frase na matéria. É verdade até certo ponto... Sim, eu disse isso. No Saia Justa eu já tinha brincado que o título do livro sobre a minha vida seria “De como tudo o que eu planejava deu errado... E tudo bem”. “Deu errado” porque eu queria trabalhar com basquete ou Educação Física; queria ser atriz de teatro; queria trabalhar em cinema. E “tudo bem” porque eu acabei indo fazer outras coisas que adoro fazer – ter filhas; trabalhar em televisão; entrar na política. Curiosamente, esse plano é mais antigo do que todos os outros – na adolescência, pensei em “ser política” e logo depois desisti. “Vou mudar o mundo de outro jeito”. Anos e anos depois, retomei o que era o “Plano A”.

 

E, de fato, não faço projetos de “ascensão na carreira”, nunca fiz. Não estava na MTV pensando que queria estar na Globo. Não quis ser deputada porque era uma “degrau acima” de vereadora, mas porque tem atribuições diferentes – e eu estava decidida a prorrogar minha permanência na vida parlamentar (em vez de 4 anos, seis). Não penso “prefeita agora, depois presidente”. Quero ser prefeita. Mas faço projetos, sim... Ou melhor: planos. Sonhos.

 

Até outro dia, estava recuando em relação ao Plano A. Tentei a política e me deprimi, amargurei. “Vou voltar para a outra militância”. Mas renovei muito meu ânimo desde que vim para o PPS. Que tem seus problemas? Lógico! Mas está muito, muito legal. Os velhos (e velhas) comunas e os recém-chegados... Os que eu já conhecia e os muitos que estou conhecendo melhor agora (como o Orlando Fantazzini, de quem sempre quis me aproximar mais quando estava no PT, e que é bárbaro, um orgulho). Pessoas com histórias heróicas de militância, que andavam, algumas, desalentadas, e estão animadas de novo e me entusiasmando também.

 

Por isso, para encerrar, me incomodou muito, na matéria do Valor, um professor da GV dizer que eu tenho um “discurso anti-político” que é “particularmente sedutor para os jovens das áreas centrais”. A palestra na GV era para gente interessada em política (foi quem quis!). E uma das minhas “missões” é traduzir, “legendar” a política para que as pessoas realmente se interessem, entendam, consigam formar seu juízo e perceber como podem participar, interferir, entrar. Ainda mais agora, que voltei da Argentina mais apaixonada pela idéia de que política é o instrumento mais forte para mudar o mundo. Que foi o que eu disse no fim da palestra, quando os alunos estava bem mais à vontade do que no começo (com suas “risadas tímidas”) – e eles concordaram, calorosamente, com esse meu encerramento.



Escrito por Soninha às 10h42
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Mais A. Garcia

Na mesmo comentário, ele disse: “Talvez, com a saída de Marina Silva, o Brasil perca pontos naqueles certificados concedidos por ONGs estrangeiras -- cada vez mais atuantes, mais fortes, mais intrometidas".

 

De novo, com o ar sarcástico de quem faz uma observação agudíssima, astuta, devastadora.

 

É tão cretino dizer que "as ONGs estrangeiras" são ameça à preservação da Amazônia e da soberania da nação quanto dizer que "a ONU quer subjugar o povo de Mianmar", como afirma o governo de lá. São intrometidos os que querem interferir na situação absurda desses territórios devastados por ditadores dementes e guerras sanguinárias? Ou é omissão covarde deixar que cada um cuide sozinho do seu quintal, mesmo que seja para tacar fogo em tudo?

 

A ONU faz bobagem, tem ONG picareta no Brasil e fora dele, tem político ladrão, tem jornalista ignorante, tem de tudo nesse mundo. Mas esse refrão contra "as ONGs estrangeiras se intrometendo na Amazônia" é muito rasteiro. Aposto que quando as ONGs fazem denúncias contra o governo federal elas deixam de ser "intrometidas".



Escrito por Soninha às 10h40
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Petismo e anti-petismo

Comentando a saída da ministra Marina Silva, com o tom ligeiramente debochado que lhe é característico, Alexandre Garcia disse que ela volta ao Senado e que seu suplente, Sibá Machado, “volta para o mestrado de Geografia”. Não entendi bem porque o esboço de sorriso sarcástico, mas ele continuou. “Ele foi cobrador de ônibus em São Paulo”. Aaah, agora percebo... Que absurdo, alguém que foi cobrador de ônibus chegar ao Senado da Nação! Esse país está perdido!

 

Em outras situações, a mobilidade social é razão de orgulho, não só para a pessoa como para o seu país. É ótimo que um cobrador de ônibus um dia chegue à universidade, ao mestrado, ao Senado. É bom sinal. Mas aqui político é sempre suspeito, sempre alguém, em princípio, desqualificado. Até para o comentarista de política da Globo, que poderia ser alguém que ajuda a desfazer preconceitos e estereótipos, não o contrário.

 

Não conheço ou acompanho o suficiente sobre o Sibá para saber a qualidade da sua atuação como senador. Mas o jornalista também não fez nada para esclarecer; apenas deu a entender que é um fulano que estava no lugar errado e já vai tarde. Absurdo.

 

PS: Não, não é coincidência o fato de se tratar de um político do PT. Agora que eu vim para o PPS, me deparo com preconceito por parte de alguns petistas e simpatizantes do PT – que não aceitam, por exemplo, que um partido que está na oposição ao governo federal seja de esquerda. Parece que o monopólio da esquerda no Brasil pertence ao governo Lula e (alguns) partidos da sua base... Mas, ainda assim, é evidente que o preconceito contra o PT é o maior que existe, porque é muito mais generalizado. Tanto é que, para alguns, o simples fato de eu ter saído do PT muda tudo o que eles pensavam a meu respeito – enquanto eu era petista, nenhuma opinião minha tinha validade. (O contrário também é verdade: para os petistas (ou lulistas) mais fanáticos, todas as minhas opiniões perderam a validade. Aviso aos navegantes: eu mudei muito pouco nesses anos todos... Quem mudou muito foi o PT).

 

PPS (ehehe): Eu não era fanática petista, não virei fanática anti-petista. E tem gente que também acha difícil aceitar isso. Na política, parece que só existem dois alinhamentos possíveis -- totalmente a favor ou totalmente contra. Incondicionalmente aliado ou completamente opositor. Se não está comigo, está contra mim. Procurar ter uma posição justa e sensata não tem muito prestígio... Parece que o oposto da dualidade extrema é a ambigüidade; o oposto de rigidez é frouxidão. Mas o que eu procuro é o equilíbrio.

 

***
Uma correção: revi o comentário de Alexandre Garcia na Globonews. Ao falar que Sibá Machado foi cobrador de ônibus, ele abandonou o característico sorriso irônico. Falou em tom grave, como se fosse uma denúncia, um escândalo. O que no fim dá na mesma.



Escrito por Soninha às 08h56
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Álcool, violência e criminalidade

Hoje o dia foi repleto de reflexões sobre violência, Segurança Pública, Justiça, sistema penal.

 

Primeiro, estive com o vereador Paulo Fiorillo (presidente da Comissão da Criança, Adolescente e Juventude), assessores parlamentares e outros representantes da Câmara Municipal no Fórum Criminal da Barra Funda, a convite do promotor Roberto Tardelli.

 

Ele esteve há pouco tempo na Câmara, convidado pela Comissão para falar em um debate sobre a Consolidação das Leis sobre Crianças e Adolescentes, e nessa ocasião sugeriu essa visita.

 

Conversamos com promotores e juízes. Assistimos a uma sessão de um Tribunal do Júri.

 

Alguns dos temas abordados:

 

1)       A maioria absoluta dos autores dos crimes (homicídios) é jovem – ou seja, tem entre 18 e 29 anos. Um criminoso com 40 é exceção.


2)       A maioria absoluta das vítimas também é jovem. Eles estão se matando...


3)       A maioria absoluta dos crimes é pelos chamados “motivos fúteis”, praticados por pessoas que alguém lá definiu, apenas para que pudéssemos entender o perfil, como “esquentadinhos”. O que isso quer dizer? Que os homicidas não são criminosos “profissionais”. Não cometeram outros crimes – “apenas” mataram alguém em um momento de raiva, com uma faca, um revólver, uma barra de ferro.

4)       Lugar “preferencial” para crimes desse tipo: bares.

5)       Elemento comum à maioria absoluta (para não dizer totalidade) dos crimes: ÁLCOOL. Sim, isso foi dito e repisado inúmeras vezes, por inúmeras pessoas diferentes: ÁLCOOL. Violência pública, violência doméstica...

6)       Se fosse feita uma enquête no Fórum Criminal, a idéia de fechar os bares de madrugada seria aprovada por aclamação. Mas adianta simplesmente fechar? Impedir o cidadão honesto de tomar uma cervejinha depois de se matar de trabalhar, impedir o dono do boteco de ganhar seu dinheirinho? E como impedir o comércio ambulante, ilegal, de pinga barata misturada com querosene? Ou seja, é preciso haver um meio termo entre o “liberou geral” e a proibição total, senão não adianta. Teria de haver restrição ao comércio de modo a dificultar o acesso, sem ajudar a proliferação do comércio ilegal.

7)      
Ou seja... É preciso combater o uso indevido de álcool, o abuso. Mais do que proibir o consumo depois de certa hora, o poder público tem de oferecer alternativas – por exemplo, de LAZER. Se não houver NADA para fazer na periferia – nenhuma quadra esportiva, nenhum cinema, nenhum teatro, nenhuma praça, NADA – os jovens (e não só eles) vão encher a cara. É barato, é fácil e tem o maior incentivo social. Como brincou um promotor: “Adianta mostrar a Juliana Paes e depois dizer “beba com moderação”? É impossível “beber” a Juliana Paes com moderação... Ela é o oposto da moderação!”.


8)       Exemplo de uma ação bem sucedida no combate à violência: havia um pedaço da cidade em que não entrava polícia (dava para observar e antecipar seus movimentos do alto de um morro, e atacar os policiais de cima para baixo), ambulância, caminhão de gás... A bandidagem montou, então, uma “central de serviços”. Subia o gás nas costas e cobrava pedágio... Levava as pessoas no hospital... Com isso, mandava no pedaço – e, naturalmente, tocava o terror, fazendo valer suas regras opressivas. A prefeitura foi lá e asfaltou as ruas, fez calçadas, iluminou... A polícia, o gás e a ambulância puderam entrar. Os criminosos perderam poder. Alguns se mandaram dali, outros foram presos. O número de homicídios diminuiu enormemente.

9)       Sobre o Fórum propriamente, e sobre o acesso à Justiça: ali são julgados crimes cometidos na Zona Sul. Por exemplo, em Parelheiros. Imagine a que horas tem de sair de casa uma testemunha que precise chegar lá às 9 da manhã para uma audiência. Imagine agora se não houver a audiência – acontece... É um absurdo! Um prédio gigante, monumental, longe PRA BURRO da população a que ele se destina. Alguém observou que o Fórum Barra Funda não é perto sequer do metrô Barra Funda, que fica a quase um km dali...

10)   Os presos chegam de camburão – depois de viajar sentados de lado, algemados, em um carro dirigido em alta velocidade, freqüentemente com movimentos bruscos – e vão para a carceragem. Aguardam ali por horas até que chegue a sua vez de serem ouvidos. Não comem. Isso mesmo, ali não se serve comida. É assim que a gente espera que eles sejam reintegrados à sociedade, imbuídos da noção de respeito à vida, às leis, à humanidade?

11)  
Há uma sobrecarga brutal de trabalho. Dezenas de milhares de processos. Se já não houvesse um milhão de motivos para nós pensarmos em maneiras de DIMINUIR a violência e evitar os crimes, haveria essa. 

Também falamos bastante sobre a “Promotoria Comunitária”. Mas isso merece um relato mais detalhado, que fica para depois.

***
No fim do dia, estive em uma reunião do CONSEG de Vila Joaniza. Essas reuniões são muito, muito interessantes. O CONSEG acaba fazendo o papel que poderia ser dos Conselhos de Representantes nas Subprefeituras, que infelizmente foram abortados no começo da atual gestão.

Esse assunto também exige um texto mais longo. Volto a ele nos próximos dias.



Escrito por Soninha às 00h42
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Curiosidade - sobre las niñas

Maria José de Luca, Asanbleista por el Guayas em la Asamblea Constituyente del Ecuador, foi chamada de “la niña de Ecuador” pelo mediador do debate no Congresso (ver post abaixo), no momento em que lhe passava a palavra. Ele disse algo do tipo “depois da niña do Equador, vamos ter apenas mais duas inscrições e depois precisaremos encerrar”.

 

Ela ficou ofendidíssima. Fez um comentário sarcástico por ser chamada de “niña” (e o mediador tinha aproximadamente a idade dela; em outro momento, um diretor da Fundação agradeceu, sem a menor intenção de fazer chiste, aos “niños” que haviam organizado o evento, se referindo também a ele, que não se ofendeu...). E não sossegou – depois dela, falou um representante do Peru que, como ele mesmo disse, não era exatamente um “jovem político” (e nem eu, apesar da aparência – tenho quase 41... Ele deve ter quase 50). Enquanto o microfone passava de mão em mão, ela resmungou de maneira audível: “Agora, então, vai falar o niño do Peru”.

 

Por causa disso, naturalmente, até o fim do encontro ela virou “la niña” nas conversas entre os demais participantes... Ninguém se atrevia, no entanto, a brincar com ela diretamente.

 

***

Eu entendo a bronca. Às vezes é difícil uma jovem bonita ser levada a sério. Hmm... Estou pensando em outras pessoas, mas falo por mim também. Em determinadas situações, é fácil alguém olhar torto: “Quem é essa daí e o que ela pensa que sabe?”.

 

Mas podem me chamar de “menina” que eu não me sinto ofendida. Aliás, quais as alternativas? “A moça do Brasil?”. Ok, pode ser. Mas no fim podem te desrespeitar chamando de “senhora”.

 

***

No You Tube tem um vídeo da Maria José quando ainda era candidata a uma vaga na Assembléia Constituinte. É interessante – embora não seja muito fácil entender tudo o que ela diz (porque é muito rápido para quem só “fala” castelhano “de ouvido”): Maria José de Luca Entrevistada en RTS.



Escrito por Soninha às 11h28
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Ainda o evento na Argentina

Algumas imagens do Encontro de Jovens Políticos promovido pela Fundación Contemporánea em Buenos Aires:

 

 

A saudação inicial no Congreso de la Nación foi feita por essa deputada argentina, cujo nome infelizmente não tenho agora.

 

Curiosamente, entre todas as pessoas possíveis, ela citou, em sua fala, André Franco Montoro como uma grande referência na política, e não nomeou expressamente mais ninguém.

 

 

Primeira Mesa: “Políticas para o Desenvolvimento”. Um dos expositores era o Chico Gaetani, Secretário Executivo do Ministério do Planejamento (Brasil) – o segundo da esquerda para a direita. Em 15 minutos, ele fez uma apresentação brilhante – clara e abrangente, teórica e concreta, crítica e honesta – dos dilemas da administração pública diante de questões como políticas focalizadas X de amplo espectro; a idéia de “Big Bang”, isto é, de total transformação do que existe X o “incrementalismo”, isto é, uma progressão gradual e constante; políticas “low profile” X as de alta visibilidade, etc. E problemas como patrimonialismo, clientelismo, loteamento da máquina pública, despreparo e desatualização dos quadros... Maior de todos os desafios, para ele: a criação de indicadores de resultados que permitam o controle de qualidade dos gastos públicos, de modo a ter certeza do efetivo benefício para a população. Óbvio? Sim. Simples? Não.

 


Esses eram alguns dos participantes, representantes dos 13 países que atenderam ao convite da Fundación.

 

 

Nesse momento, tem a palavra uma Asambleista do Equador, na primeira rodada de perguntas à Mesa.

 

***

Algumas informações sobre a Fundación Contemporánea:

 

Quienes Somos


Constituimos um grupo de hombres y mujeres, reunidos em torno a ideales comunues y con interés hacia los assuntos públicos, que trabaja con el objetivo de aportar en la construcción de una dirigencia política capaz de conducir los destinos de la Argentina.

En diciembre de 1992, inscribimos formalmente a nuestra fundación e iniciamos nuestras actividades en la Provincia de Mendoza com uma fuerte orientación hacia la promoción humana y la ayuda a los sectores más necesitados de la población.

A fines del año 1999, después de un importante desarrollo institucional en esa Provincia donde fuimos destacados en dos oportunidades com reconocidos prêmios por el trabajo social realizado, habiendo llegado a mas de seis mil famílias carenciadas, trabajado intensamente con la comunidad educativa, participado de seminários, congresos, charlas, programas radiales y televisivos, y habiéndonos involucrado intensamente en la vida política provincial, decidimos abrir nueva sede em la Ciudad de Buenos Aires. Desde esse momento, la Fundación adquirió um nuevo impulso institucional, com nuevos miembros y renovados objetivos.

Depois tem mais.



Escrito por Soninha às 11h02
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