Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Câmara Municipal de São Paulo
 Prefeitura do Município de São Paulo
 Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo
 UOL


 
Gabinete


Me cobram daqui, eu cobro de lá

Duas semanas atrás, estive na Subprefeitura da Lapa para discutir 4 temas, basicamente, com a Subprefeita Luiza Nagib Eluf: a segurança no entorno da TV Cultura; o andamento do processo de implantação do Parque Villas-Boas, no terreno da antiga usina de compostagem da Vila Leopoldina; a criação do Conselho Regional de Meio Ambiente na Subprefeitura; a possibilidade de implantação de um sistema cicloviário na região.

 

Sobre o item 1: os arredores da TV Cultura são bastante inóspitos, com muitos muros altos e ruas desertas. Há muitas ocorrências ali e a mais grave delas foi o assassinato recente de um funcionário em tentativa de seqüestro relâmpago.

 

O que a Subprefeitura pode fazer? Melhorar a iluminação e manter a praça em frente à Cultura em boas condições (pode ser em parceria com a própria Fundação Padre Anchieta), requisitar a presença da Guarda Civil. Estamos solicitando também à Secretaria de Esportes que estude a instalação de equipamentos esportivos (quadras iluminadas, pista de caminhada) e vamos pedir à Secretaria Estadual de Segurança Pública a presença da Polícia Militar (a GCM não é polícia... A segurança pessoal dos cidadãos e a repressão ao crime contra a pessoa e seu patrimônio é atribuição da polícia.).

 

A Subprefeita prometeu estudar o caso.

 

Sobre o Parque Villas-Boas: no dia em que estivemos lá, o laudo de contaminação da área tinha acabado de ser enviado pela CETESB e estava sobre a mesa dela. Resumindo o que ele diz: a contaminação resultante da operação da antiga usina de compostagem não é grave; a contaminação resultante da fábrica que ocupava uma área vizinha, que hoje pertence à construtora Cirella. O custo da descontaminação teria sido levado em conta quando da aquisição do terreno – ou seja, o preço foi mais baixo porque ela teria de arcar com os custos da descontaminação. Portanto, a empresa teria de ser cobrada por isso.

 

Mas o outro problema relativo ao terreno ainda não foi resolvido: funcionam lá, em caráter precário – isto é, com instalações provisórias muito distantes do recomendável - centrais de triagem de material reciclável. Já discutimos duas possibilidades com o Poder Executivo: que fossem construídos ali galpões definitivos, em condições ideais, com acesso de caminhões totalmente separados dos acessos do parque e com a possibilidade de servirem como verdadeiras estações de educação ambiental, abertas à visitação. Ou que fossem construídos galpões em terrenos próximos, para não afastar os cooperados de sua “clientela” – o que é bom para eles, pela facilidade de acesso, e para a cidade. Se os caminhões vêm da Zona Oeste, é um prejuízo para a cidade toda  fazer com que eles circulem maiores distâncias, agravando o trânsito e a poluição.

 

Em que pé está isso? Estagnado...  A Subprefeitura alega não dispor de áreas para isso, e sugere que a LIMPURB providencie o aluguel de um galpão. O fato é que não andou.

 

(Dias depois, em um evento do movimento Nossa São Paulo, perguntei sobre isso ao diretor da Limpurb e ele confirmou a intenção de alugar).

 

Quanto ao Conselho Regional do Meio Ambiente – há uma pessoa indicada pela Subprefeitura para “tocar” sua implantação junto à Secretaria do Verde e à Secretaria do Esporte. Continuaremos acompanhando; divulgamos, no site, as datas das reuniões das Macro-regiões.

 

Sobre as ciclovias: ela se dispôs a receber ativistas com experiência no planejamento de ciclo-rotas para discutir a viabilidade de criação de algumas na região.

 

Além dos temas previstos, falamos com ela sobre trânsito – o assunto inevitável  no começo de qualquer conversa, e faltavam poucos dias para a inauguração do famoso shopping ao lado do Palmeiras. E também sobre como é nocivo o desdém pela administração pública, que às vezes atinge níveis absurdos - Luiza Nagib Eluf é promotora e se afastou do MP para assumir a Subprefeitura; um colega votou contra seu afastamento por dizer que a função era "indigna" de um promotor. Como se ser Subprefeita não fosse uma incumbência que exige qualificação... Como se Subprefeito pudesse ser qualquer um, uma função sem importância. Por muitos pensarem assim mesmo é que estamos nesse esculacho geral.

 

*** 
Esta semana, estive no Jornal da Gente, que também é ali da região. Eles me fizeram várias cobranças, principalmente sobre o andamento da implantação do Parque Villas-Boas. Estou perguntando, pressionando, procurando saber. Eles também falaram sobre as más condições de higiene do hospital Sorocabana; sobre o desejo de ver o PS da Lapa transformado em hospital; sobre os alagamentos no Tendal da Lapa. Vamos, como eles, fazer cobranças também.



Escrito por Soninha às 16h53
[] [envie esta mensagem] []



Como se o problema fosse a água

Ser contra o uso de ecstasy, tudo bem.  Mas ser contra a oferta de água potável, francamente...  É de estarrecer.

Eu não sou “a favor” do uso de ecstasy.  Não sou contra nem a favor do uso de drogas “recreativas” de modo geral (para não confundir com as drogas medicinais). Álcool é uma droga recreativa, que eu quase não uso (principalmente porque não gosto de cerveja, que é a mais consumida). Cigarro é uma droga que eu detesto (porque causa dependência em praticamente 100% dos casos, faz mal pra cacete e é super invasivo – é muito fácil sair de algum lugar fedendo a cigarro mesmo sem ser fumante). Café é uma droga que eu tenho consumido mais nos últimos anos (aqui na Câmara tem café pra todo lado). Red Bull e assemelhados têm sua graça.

Essas são permitidas e, em alguns casos, exaltadas, incentivadas. Volto ao início: sou contra ou a favor do seu uso?

Sou contra o abuso, o uso indevido e o estímulo ao consumo (de álcool, por exemplo). Sou contra a irresponsabilidade e os danos decorrentes dela.  Não sou contra a dependência porque é meio sem sentido ser contra uma doença... Eu lamento o sofrimento causado pela dependência, ao próprio dependente e às pessoas à sua volta.

É absolutamente irreal imaginar que é possível viver em um mundo sem drogas. Homens e animais consomem substâncias que alteram o humor, a disposição e a percepção desde o começo da vida na Terra. Ao longo dos tempos, o significado atribuído a elas mudou conforme a cultura. Muçulmanos e evangélicos não bebem álcool. Católicos celebram o milagre a transformação de água em vinho em uma festa de casamento. Rastafáris consideram a maconha um instrumento para se aproximar da divindade. Café foi demonizado quando chegou ao Brasil; cocaína já foi objeto de anúncio classificado nos jornais brasileiros de séculos passados...

As pessoas usam drogas. No Brasil, em primeiro lugar, o álcool. Seja em um coquetel de lançamento de um empreendimento imobiliário, no vernissage de artista renomado, na festa de fim de ano da empresa ou nas festas de batizado, aniversário ou casamento, bebe-se. Na balada, bebe-se muito.

Para diminuir os efeitos e riscos do consumo exagerado de álcool, existem duas recomendações básicas: comer e beber água entre uma dose e outra.  Se você passa a noite toda bebendo álcool, qual a chance de não ficar embriagado?

Nas casas noturnas, freqüentemente a água em copos ou garrafas custa tão caro quanto uma bebida alcoólica. Aumenta, assim, a possibilidade de o “baladeiro” optar sempre pelo álcool! Se houver um bebedouro, aumenta, por outro lado, a chance dele tomar água – nem que seja por impulso.

Além do álcool, algumas pessoas – quer achemos isso certo ou errado – usam outras drogas, como o ecstasy. Também para essas pessoas o consumo de água é recomendável, para evitar maiores danos. E também no caso delas é otimista demais achar que vão pagar 4 reais por um copo d’água...

Agora, achar que as pessoas vão se sentir incentivadas ou “autorizadas” a usar ecstasy porque um lugar tem um bebedouro é completamente absurdo. Ou que a obrigatoriedade de instalação do bebedouro tem esse objetivo. Francamente!

Quem usa uma droga cujo comércio é proibido já está se expondo a uma série de riscos – inclusive o risco de se defrontar com a polícia. Será que um reles bebedouro é o que faltava para alguém decidir usar uma droga? “Ah, agora que tem água potável, posso detonar!”. Imagine...

Enfim, se as pessoas acham que a proibição do comércio é uma medida desejável e eficaz, ok. É uma opinião razoável. Eu mesma jamais seria a favor da permissão de produção e comércio de crack ou merla, que produzem danos infalíveis e intoleráveis. Existem substâncias para as quais definitivamente não existe “uso seguro”. Mas essas pessoas serem contra a instalação de bebedouros por considerar que isso seria prejudicial porque favoreceria o uso de drogas é uma idéia sem conexão com a realidade!

***

Hoje um assessor do Gabinete recebeu um telefonema da Dra Izilda, da rádio Jovem Pan, que faz campanha contra as drogas. A posição dela é realmente contra o uso de drogas, não contra o abuso ou o uso indevido.  Assim, suas campanhas são de abstinência: “Não use! Diga não!”. Alguns anos atrás, ouvi um programa em que ela dizia mais ou menos isto: “Drogas levam aos 3 C’s: clínica-crime-cemitério”.

Existe um público que se sensibiliza com mensagens desse tipo e realmente não pretende nem passar perto de uma droga. O problema é que tem muita gente que não está nem aí – ou porque tem aquela fantasia de que “nada vai dar errado comigo” (o que leva muitos a cair do cavalo) ou porque sabe que, de fato, não dá tudo errado com todo mundo. Ou seja, a dependência é uma possibilidade, e está errado quem ignora isso. Mas a dependência não é uma fatalidade, uma ocorrência inevitável, e também está errado quem ignora isso. Por isso, dizer para todo mundo “Não use senão você vai MORRER” é algo que não vai surtir o efeito desejado.

As políticas de redução de danos são voltadas a um público – o das pessoas que usam drogas -  basicamente dividido em duas categorias: os que usam e não vão ouvir nenhum tipo de conselho, não vão dar bola para nenhum slogan ou ameaça; os que usam mas não querem passar mal muito menos colocar sua vida em risco. Caramba, se não adianta simplesmente ficar dizendo “não use, não use, não use”, o que vamos fazer? Ignorar os riscos, os danos, os prejuízos e impactos no sistema de saúde e na sociedade em geral, ou tentar diminui-los ao máximo?

Por analogia – se alguém que você conhece enche a cara (seu filho, digamos) e passa mal, você vai socorrê-lo ou deixar que se dane? Se você sabe que ele vai sair à noite, você vai preferir que ele beba e se cuide ou vai ficar torcendo e rezando para não passar nem uma gota de álcool pela sua boca? Vai trancar seu filho em casa ou contratar um detetive para segui-lo?

Política de redução de danos não é ingênua nem “doidona” – é realista. Quando ela fala em DANOS, admite, de cara, as possíveis conseqüências negativas do uso de algumas substâncias e procura diminui-los.

Voltando ao telefonema da Dra. Izilda: quando meu assessor disse que bebedouro não é só para quem usa ecstasy, mas que água faz bem pra todo mundo, ela reagiu com ironia e incredulidade, respondendo “arrã” com tom de “sei, sei...”.

Bom, se as pessoas, além de discordar de suas opiniões, lhe atribuem opiniões que você não tem , não adianta discutir.

***

Aqui tem o texto do PL dos Bebedouros e a Justificativa. E aqui tem um texto do Luis Nader, meu assessor, sobre o assunto.



Escrito por Soninha às 12h51
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]