Pedido de desculpas ao vereador Russomano
No fim do ano passado, descrevi algumas manobras de retaliação ou punição contra mim pelo fato de eu "não entender como a Casa funciona, não fazer acordo..." – em suma, não ter votado na Chapa Única e no presidente reeleito da Casa. Quem não leu, pode ver alguns posts abaixo (e os depoimentos do presidente à Jovem Pan e à Eldorado, que publiquei agora).
Uma das manobras foi a exclusão de várias emendas minhas ao orçamento. A explicação que o relator deu na época foi a seguinte: "Você fez uma emenda de um milhão de reais que tomou metade da sua cota [de dois milhões], então tive de cortar o que passou". A emenda de um milhão era destinada ao pagamento de exames diagnósticos de alta qualidade feitos pelo GRAACC em pacientes da rede pública. Acontece que ela foi assinada, de comum acordo, por 3 vereadores: eu, Átila Russomano e Celso Jatene. Assim, cada um tiraria da sua cota cerca de 300 mil reais.
Segundo o relator (vereador Milton Leite), os outros dois autores, quando entregaram a lista com suas emendas, não incluíram essa e ela acabou ficando apenas no meu nome. Sem me avisar, sem me consultar, ele escolheu outras para excluir e pronto. Uma lástima.
No dia da votação em plenário, eu citei esse "equívoco", explicando o que havia acontecido. Os co-autores da emenda não se manifestaram; o vereador Milton Leite, sim. Ele veio dizer que precisou cortar sem me avisar porque são milhares de emendas e não seria possível consultar cada vereador a cada problema que aparecesse.
Eu devia saber logo que a história estava mal contada. Pra começar, quando meu assessor foi perguntar ao relator e sua assessoria por que uma parte de nossas emendas tinha desaparecido, a primeira resposta foi: "Ah, porque estavam mal feitas, tinham um monte de problemas técnicos". De jeito nenhum. Estava corretas e não havia nenhum problema técnico. Foi o que meu assessor disse, prontamente – e cobrou: "Qual problema seria? Eu quero ver". Aí eles mudaram a resposta e vieram com a história do GRAACC.
Dias atrás, o vereador Átila Russomano leu no site o texto em que descrevíamos a história toda e protestou veementemente, assegurando que tinha incluído o valor prometido por ele ao GRAACC no cálculo da sua cota. E em seguida apresentou papéis que comprovariam isso.
Meu assessor não acreditou – até porque ele estava ao lado do relator quando houve a primeira discussão, e devia estar no plenário quando citei o assunto na tribuna. Por que não se manifestara antes?
Mas, ao que tudo indica, ele está falando a verdade. Portanto... O relator fez o que fez porque quis. Passa a ser a única explicação.
É uma pena que as coisas sejam assim – cheias de intrigas, despistes, versões falsas, mentiras e desmentidos. E lamento muito que o vereador tenha sido incluído nesse episódio da retaliação indevidamente (houve aquele outro, em que o Projeto de Lei de autoria do Voto Consciente, defendido por mim, foi o único PL "de vereador" a ser excluído do acordo de aprovação no fim do ano). Peço desculpas ao Russomano por isso.
No final das contas, a atitude do ver. Milton Leite quebra a igualdade no trato entre os vereadores, já que nossas emendas somaram R$ 1.7 milhões enquanto os demais vereadores tiveram respeitadas suas "cotas" de R$ 2 milhões. Com esses 300 mil de diferença poderíamos ter mantido diversas das emendas cortadas, tais como as voltadas para as casas de cultura, programa de educação ambiental, aquisição de acervo e equipamentos para a biblioteca municipal de meio ambiente. Incríveis os raciocínios e costumes da política: para me punir ou infernizar, cortam verba do orçamento como se ela fosse para mim, e não para a cidade. Cada vez mais me convenço de que é mesmo muito difícil (ou impossível) não detestar a política; como podemos culpar as pessoas pela repulsa que sentem?
Escrito por Soninha às 11h41
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