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Duas coisas e meia

Engraçado como uma frase ou duas, às vezes, causam uma reação totalmente desproporcional ao peso que elas tinham quando foram ditas (ou escritas). Por exemplo:

 

1) O título “Mensagem ao Partido”, na minha carta de desligamento do PT, foi uma brincadeira. E, confesso, uma provocaçãozinha com a direção. A turma da “Mensagem” era a minha turma... Uma minoria que praticamente podia ser chamada de oposição dentro do Partido. (Digo “minoria” me baseando, por exemplo, na quantidade de delegados que conseguimos eleger para o Congresso do PT). Ou seja, não era uma cutucada na “Mensagem”; ao contrário, era quase uma homenagem sentimental.

Como eu disse, continuo torcendo por um PT cada vez melhor. E por mais espaço para esse grupo, oras.

 

2) Quando falei com a Cátia Seabra (da Folha), ela perguntou se eu havia me “desiludido” com o PT. Pensei um pouco e respondi: “Se for para pegar a raiz da palavra, sim, porque eu não tenho “ilusão” com o partido”. E disse várias outras coisas em seguida, comentando, por exemplo, a palavra “esperança”, que já foi tão associada ao PT. Lembram de “a esperança venceu o medo”?

(Curiosamente, os budistas consideram esperança e medo duas emoções indesejáveis, baseadas na auto-preservação (o medo) e na idéia equivocada de que a felicidade e o sofrimento vêm de fora, são causados por fatores externos, e que a gente pode “esperar” que as coisas se arranjem e nos façam felizes).

A Cátia publicou só a primeira parte da resposta – nenhum problema, foi o corte que ela escolheu fazer para resumir. E fechou a nota bem com essa frase, o que lhe deu um peso maior. O suficiente para alguns petistas deduzirem que eu ia “sair atirando”.

Com eu disse, se já fazia críticas dentro do partido, não vou deixar de fazer agora... Mas, pela visão da minha própria religião sobre medo, esperança e, principalmente, ilusão, posso tranqüilamente dizer o seguinte:

Não tenho ilusões com o PT, com o PPS, o PSDB, a esquerda no Brasil, a política partidária, os comunistas, os democratas, os republicanos, os liberais e os neo-liberais, o mundo em geral. Não espero que tudo dê certo ou saia como eu quero; espero conseguir continuar tentando. Faço o que estiver ao meu alcance – isso não é individualismo, é falta de pretensão. Nunca espero muita coisa dos outros (o certo seria não esperar nada, mas aí já está acima da minha capacidade).

Se eu concluo que o meu esforço não é capaz de mudar alguma coisa aqui, vou tentar por ali. Se na minha frente tem uma pedra pesada demais para empurrar, se do meu lado não tem gente suficiente para movê-la, vou contornar a pedra, tentar outro caminho, procurar um calço, dinamite, sei lá. Eu quero mudar o mundo – sonho infantil que prometi nunca esquecer ou abandonar – mas preciso saber o que acredito que dá para fazer. Vivo me perguntando.

A pedra é... A pedra é o que impede a política de ser meio e não fim; o que afasta a política de se ocupar prioritariamente da vida das pessoas, do mundo real, e não de suas próprias disputas. Vou tentar mover a pedra em outro lugar.



Escrito por Soninha às 17h11
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"Mensagem ao partido" - preâmbulo

Um amigo meu divide o mundo em “flaubertianos” e “balzaquianos”. Os que trabalham o texto esmiuçadamente, testando cada palavra, burilando a sentença até cansar, e os que escrevem de chofre. Chegamos à conclusão que eu sou os dois: na maioria das vezes, escrevo como se estivesse falando. Mas se tenho tempo para fazer algo mais elaborado, acabo rabiscando e reorganizando tudo dezenas de vezes.  

 

Anteontem à noite, fiz à mão, no intervalo do jogo do São Paulo, o esboço da carta de despedida do PT. De uma vez só. No dia seguinte de manhã, comecei a passar para o computador. Entre quatrocentos compromissos, demorei quase o dia todo só para conseguir terminar de digitar. Aí comecei a reler e corrigir. E fiz a bobagem (estou brincando!) de democratizar o texto. Democracia dá um trabalho... Concordei com boa parte dos palpites e fui querendo explicar melhor, reformular, deixar algumas coisas para depois.

 

Resultado: terminei hoje de manhã. Está publicado logo abaixo deste post (dei a última mexida). Milhões de coisas ficaram para depois; ainda tenho muito que escrever...

 

***

Na minha ida para o PPS, gostaria de levar um monte de gente comigo, mas uma boa parte da minha turma no PT (digo “minha turma” porque nunca fui de corrente nenhuma, mas sempre há pessoas que são mais próximas, com mais afinidade) vai continuar na briga lá dentro, agora focada no PED (Processo de Eleição Direta da direção do partido). Mas pelo menos um me acompanha: o Alexandre Youssef, que foi Coordenador de Juventude na gestão da Marta, que foi quem disse “você não pensa em se candidatar vereadora?” justamente na hora em que eu estava pensando e deu o impulso que eu precisava, que foi meu chefe de gabinete por dois anos, está indo também. Re-animado para a batalha.

 



Escrito por Soninha às 09h15
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São Paulo, 27 de setembro de 2007.

 

Mensagem ao Partido

 

O título me ocorreu espontaneamente; não resisti à tentação de usá-lo... (É o nome da tese que assinei, ou seja, que eu apoiei no Congresso do PT).

 

Pensei em escrever apenas “venho por meio desta solicitar minha desfiliação do Partido dos Trabalhadores”. Mas seria formal demais, frio demais para uma relação de 26 anos.

 

Não, eu não tenho a pretensão de me gabar de ter sido uma das fundadoras do PT (eu tinha 14 anos!). Apenas me identifiquei com o partido desde que ele foi fundado, e sempre me considerei petista e militante. Sem aquela participação “orgânica” que para muitos é a única que vale, mas indo muito além do mero voto na eleição. Pegava material para distribuir, participava das campanhas, entrava em discussões e debates, públicos ou familiares. Essa militância não-orgânica que, acredito, ajudou o partido a crescer em reconhecimento e prestígio na sociedade.

 

Mas agora estou saindo, e se não quero fazer nada muito frio, também não acho que deva ser “quente”, cheio de carga emocional, ódio e ressentimento.

 

Nos últimos meses foi assim: alguns me aconselhavam, exortavam, imploravam para que saísse do PT, cheios de fúria – uma parte deles dizendo “eu também era petista, e o partido me traiu”; outra parte, “sempre odiei esse partido”. Havia também os que suplicavam para que eu não saísse: “não acredite no que dizem da gente, é tudo mentira!” -- ou, coincidindo com que eu decidi fazer, “fica, vamos brigar aqui dentro”.

 

Que nenhum outro partido desperte tantas emoções pró e contra é um fenômeno que não vale a pena discutir agora..

 

Pois bem: sem drama, sem ódio, resolvi sair do PT. Já andava desanimada demais, sem disposição para continuar brigando dentro dele, por ele.

 

Em qualquer relacionamento temos problemas, crises, conflitos, divergências. Eles não precisam determinar a separação. Mas, se ao fim de algum tempo, houver mais divergências que afinidades, mais distância que proximidade, chega-se a um ponto em que não faz sentido “segurar” a relação.

 

Não saio do PT por causa dos erros graves cometidos por integrantes do partido; o desafio de toda instituição é identificar, punir e criar mecanismos para evitar desvios, deturpações, ilicitudes. Nenhuma está imune a isso. Saio porque acho que algumas de nossas inclinações, hoje, são muito diferentes. Onde o partido já foi até intransigente, ficou muito concessivo. Onde eu acho que é o caso de negociar, o PT  se recusa. Quem conviveu comigo nesse tempo de mandato sabe das nossas divergências -- naturais, inevitáveis, mas talvez predominantes hoje em dia.

 

Não vou, de um dia para o outro, renegar o que defendi, só porque saí do partido – se eu nunca deixei de criticá-lo quando estava dentro... Não era defensora fanática, não serei detratora do mesmo tipo. Não sou fanática!

 

Era muito provável que eu saísse do PT para não entrar em partido nenhum. Já tinha decidido que não seria candidata a um novo mandato na Câmara Municipal. Por desistir da política? Não, para me dedicar ao serviço público em outro lugar, sem planos de disputar novo mandato eletivo e sem procurar outra legenda. Sempre disse que partido perfeito não existe; seria bobagem deixar o PT com a esperança de encontrar um lugar sem problemas, desconfortos, atritos.

 

O PPS mostrou interesse em ter em seus quadros alguém “independente” -- o tipo de “problema” que eles querem ter, pelo que entendi. Não se apresentou como o céu, o olimpo, a terra pura, mas uma instituição que quer se qualificar, aperfeiçoar, se tornar sempre mais consistente. E que ofereceu a oportunidade empolgante de disputar no ano que vem a prefeitura de São Paulo; a chance de entabular um debate rico, baseado em visões da cidade, diretrizes, propostas, reconhecendo honestamente boas experiências aqui ou em outros lugares do Brasil e do mundo, estabelecendo um compromisso com algumas metas e não promessas fabulosas.   

 

Continuarei com respeito, admiração e afinidades com muitos petistas... Não torço para que o PT "se dê mal"; enquanto a democracia se basear nesse modelo com partidos (pressinto que em algumas décadas teremos outros modos de organização, mas isso é lucubração para outra hora), ela continuará precisando de bons partidos, para que tenhamos o debate, façamos o bom combate. Espero, agora, que se cumpra a profecia de um colega (do PC do B!): “Vai ser bom pra cidade”.

 

Atenciosamente,

 

Soninha Francine



Escrito por Soninha às 09h12
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